Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Episdios desagradveis

10 de Dezembro, 2018
Nos últimos tempos, o futebol, o desporto-rei, tem sido acossado com episódios desagradáveis e que geraram alguma confusão e violência à mistura, não fossem as situações daí resultantes, como a que ocorreu na data que se previa realizar o jogo da final da Taça de Libertadores, entre o Boca Juniors e o River Plate, ambos da Argentina. Por força disso, a Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) foi obrigada a alterar a data do jogo da segunda “mão” de 24 de Novembro para ontem e de igual forma transferir o mesmo do estádio Monumental, do River Plater, para o Santiago Bernabéu, em Espanha. Contrariamente aquilo que deve imperar nos estádio de futebol e de outras modalidades desportivas, o “fair-play”, no citado dia 24, o autocarro que transportava a comitiva do Boca Juniors foi atacada à chegada ao palco do jogo.
Da acção, originada pelo lançamento de pedras e gás pimenta, resultaram ferimentos a alguns jogadores, com realce para Pablo Pérez e Gonzalo Lamardo, que tiveram de ser assistidos numa das unidades hospitalares locais. Por essa razão os adeptos da equipa do Boca Juniors, que no duelo da primeira “mão” havia consentido um empate (2-2), rogavam para que fosse aplicado o artigo 18 do regualmento disciplinar que, entre várias penalizações, consta também a desqualificação.
Com a remarcação do jogo da segunda “mão”, realizado ontem no estádio Santiago Bernabéu, em Espanha, reacções não se fizeram esperar.
Uma delas foi do defesa Jonathan Maidana, do River Plate, que lamentou o facto desta final da Taça dos Libertadores, cujo vencedor se qualificou para o Campeonato do Mundo de Clubes, com palco nos Emirados Árabes Unidos, ter sido transferido da Agentina para Espanha, na sequência do “epsisódio desagradável”, como qualificou.
Um outro episódio desagradável, que assombrou o futebol, no último fim de semana, tem a ver com os insultos racistas de que foi alvo o avançado Raheem Sterling, do Manchester City, durante o jogo com o Chelsea, conforme denúncia \'feita\' pela transmissão televisiva do encontro. Nas imagens também partilhadas pelo ex-capitão do Manchester United, Rio Ferdinand - e vistas por mais de 260 mil pessoas nas primeiras duas horas em que foram colocadas a circular -, podem ver-se vários adeptos a gritar ao atleta do City, em tom ameaçador.
Por isso, quer as autoridades britânicas, quer o próprio clube de Londres, abriram investigações para apurar o sucedido em Stamford Bridge, um mau exemplo para o futebol, que é ópio do povo, e que, acima de tudo, deve ser encarado como uma festa e não uma via para acções como as de insultos racistas.
O futebol, como desporto das multidões, deve além do espírito do “fair-play” agregar os seus adeptos num ambiente de festa e emoção, como aliás a própria modalidade impõe.
Não faz ainda muito tempo, que o campeão em título do Girabola Zap, maior prova do futebol no nosso país, esteve envolvido num ambiente, descrito como infernal, em Tunis, onde ouve de tudo menos “fair-play”.
O árbitro zambiano Janny Sikazwe foi o grande protagonista, com uma actuação tendencialmente favorável à equipa da casa. E, como se não bastasse o facto de ter inclinado o campo a favor do Esperance de Tunis, permitiu o uso, no estádio, de gás lacrimogéneo pela polícia tunisina, que afectou integrantes do 1º de Agosto. O futebol não se compadece com esse tipo de coisas...

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