Jornal dos Desportos

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Opinio

Equilbrio total

25 de Janeiro, 2017
Hoje, quando se disputar em simultâneo os jogos referentes à terceira jornada da primeira fase do Campeonato Africano das Nações que decorre no Gabão, deve estar terminada uma fase do torneio marcada por um equilíbrio total, em que os intervenientes dos grupos estão a bater-se com arrojo e determinação, pelos lugares de qualificação à fase seguinte.

Na verdade, desde a primeira jornada ficou evidente a disputa que as selecções tinham de encontrar, para lograr a qualificação para os quartos -de -final. O excesso de empates que se verificaram nos jogos iniciais, falavam por si. E, assim, acabou por ser. Muitas equipas que à partida eram apontadas como favoritas aos quartos -de -final, foram de regresso à casa, quando muito menos se esperava.

Aliás, a maior surpresa foi a desqualificação da própria selecção anfitriã, na primeira fase, situação que há muitas edições não se verificava. O Gabão, de Aubameyang, consentiu três empates nos três jogos referentes à fase de grupos, e acabou irremediavelmente fora da competição. É uma situação constrangedora, mas com a qual tem de saber lidar.

À partida, sabe-se o que acontece quando a selecção caseira fica fora do torneio, logo de início. Há a quebra do entusiasmo local. O público caseiro limita a presença aos Estádios, salvo em jogos que envolvam selecções de grande gabarito, na praça futebolística africana. Como se não bastasse, a retirada dos anfitriões teve influência negativa no rendimento do próprio campeonato, em termos de receitas.

Mas o que se pretende realçar aqui, é a evolução que o futebol conheceu nos últimos anos, em alguns países do continente. Hoje, nota-se um maior equilíbrio entre as selecções dos países que se situam abaixo do Sahara, e os do Magreb, basta olhar para o quadro das selecções que se apuraram para os quartos -de -final, desta 31ª edição do Campeonato Africano das Nações.

A equipa do Burkina Faso, por exemplo, está transformada numa agradável surpresa. A equipa cresce consideravelmente nos últimos anos. Não foi sem razão, que vimo-la há quatro anos a disputar a final da prova diante da Nigéria, quando o campeonato teve lugar na África do Sul, em 2013. Perdeu a final, mas deixou indicadores seguros de uma selecção, que estava a projectar-se para voos mais altos.

Quando hoje se disputar os jogos do Grupo D, está-se em condições de fazer um juízo de valor mais exacto, sobre o que reserva para os quartos -de -final. Pelo menos, há a garantia de se assistir a jogos épicos, disputados até ao limite, na chamada fase de mata -mata, em que os empates acabam por não ter serventia.

Por aqui, pode avaliar-se o grau de preguiça que vai pelo nosso futebol, que faz um percurso inverso ao das outras selecções. Vai escapando a sensação de que hoje já não se acham selecções acessíveis, factor que compromete ainda mais as nossas esperanças, se atendermos ao processo regressivo dos Palancas Negras. Enfim, seria uma injustiça sem tamanho aferir que o CAN está insípido e insosso.

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