Jornal dos Desportos

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Opinio

Estgio sem cabimento

05 de Outubro, 2014
As razões do estágio, de acordo com o organismo reitor do futebol nacional, prendem-se com a adaptação à altitude que os Palancas vão encontrar no Lesoto. Mas valerá a pena este estágio? A FAF sempre apregoou que não tem dinheiro. Que tem os cofres vazios.

Se assim é, o porquê então o estágio em território sul-africano? Quanto vai a FAF gastar com este estágio? Bilhetes de passagem para uma comitiva de cerca de 30 elementos, 25 dos quais jogadores, alojamento, ajudas de custo e ainda gastos com transporte interno entre o hotel e o local dos treinos. Enfim, uma série de gastos que não se justificam.

O nosso país tem províncias cujo clima se assemelha ao que a Selecção Nacional vai encontrar em Maseru, capital do Lesoto. A província da Huíla é uma delas. E tem condições propícias para um estágio digno. Rede hoteleira capaz e relvados em condições. Não venham dizer, para justificar o estágio, que os gastos seriam maiores, porque essa teoria é antiga e não serve de argumento.

A Selecção Nacional de Sub-20, que não conseguiu o desejado apuramento para a fase final do CAN da categoria, a disputar-se no próximo ano no Senegal, defrontou nos dias 10 e 24 de Maio, o Lesoto. Os primeiros 90 minutos foram disputados em Maseru e a segunda mão em Luanda.

Pelo que soubemos não lhes foi dada a oportunidade realizarem um estágio, de forma a poderem fazer face à altitude que iam encontrar na capital do Lesoto. O máximo que lhes deram foi dois particulares com Marrocos, em Rabat.

A Selecção Nacional de Sub-17 defrontou a sua congénere da Costa do Marfim para a última mão da eliminatória de apuramento para a fase final do CAN do próximo ano, no Níger, e não teve o ensejo de realizar um pequeno estágio. Era o jogo das “suas vidas”.

Os pupilos de Nzuzi André tinham de ultrapassar os campeões continentais em título para repetirem a proeza das edições do Botswana 1997 e Guiné Conacri 1999, após empate a uma bola na primeira mão, no estádio dos Coqueiros, em Luanda. Nem isso motivou a direcção da FAF a estimulá-los com um estágio no exterior.

Quer queiram quer não esta atitude da FAF só vem confirmar o que já dissemos aqui nesta mesma coluna. A existência de filhos e enteados. Tudo para a selecção principal e pouco ou mesmo nada para as restantes selecções.

Este tratamento diferenciado afecta, sobremaneira, a mente não apenas dos jogadores mas também das equipas técnicas. Todos eles se sentem desprezados. Com este procedimento separatista a FAF presta um mau serviço às selecções nacionais.

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