Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Estalo do verniz

24 de Setembro, 2017
A equipa, das duas que ascenderam à primeira divisão na presente edição, sendo a outra o Santa Rita de Cássia, anunciou na sexta-feira à desistência de todas as competições sob a elide da Federação Angolana de Futebol, nomeadamente o Girabola Zap e a Taça de Angola. A tomada de decisão ocorreu na véspera do jogo dos oitavos-de-final da taça com o Petro de Luanda.
Na verdade, contrariamente às outras edições, este campeonato, apesar dos tentáculos da crise, teve poucos problemas relacionados com ameaças de desistências. Parecia até aqui a correr tudo dentro da normalidade, afinal havia clube que já vinha a travar há algum tempo para se manter em prova, tendo resistido até onde pôde. A batata quente sobra assim para a Federação Angolana de Futebol, que terá de encontrar uma saída deste imbróglio.
Quando se descompleta o quadro de equipas que disputam um torneio vários são os embaraços que tal situação pode ocasionar. À partida, vai forçar a folga de uma equipa em todas as jornadas, e depois se se partir para a medida de retirada de pontuação a equipas que tenham vencido ou empatado com o desistente, é que serão outros quinhentos.
Na abertura de época muitos foram aqueles que questionaram a capacidade financeira que permitisse o JGM, um clube que é gerido com capital privado, se teria arcaboiço para fazer face às exigências das competições internas, do Girabola Zap sobretudo. A sua direcção deu garantias de que estava preparada para todos os desafios competitivos.
Conseguiu por alguma boa parte da época mostrar que era capaz, mas viria a fracassar já quase perto da meta. Seria bom que uma equipa que aguentou todo um campeonato, por entre todas dificuldades, que só a sua direcção saberá explicar, se aguentasse pelo menos até ao fim, já que restam apenas cinco jornadas, nem que depois tivesse que declarar a sua ausência na próxima edição.
Mas como mesmo em provas de fundo existem atletas que se aguentam para fracassar a escassos metros da meta, também o JGM fracassa quase já no cair do pano do campeonato, porque, como consta do seu comunicado, faltaram os apoios de que esperava.
Quarenta milhões de Kwanzas eram quantos o clube precisava para fazer face às derradeiras jornadas da prova.
Apesar do lado negativo que está desistência pode representar, também serve de exemplo a outras equipas que sempre tiveram como meta o Girabola, podendo a partir daí perceberem que não se trata de uma empreitada fácil, mas sim um compromisso oneroso, quase invencível sem apoios de outras entidades e instituições. Desengana-se, pois, quem toma esta competição como uma feira de vaidade e de marketing.

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