Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Expectante Girabola!...

26 de Outubro, 2010
Consumada que ficou a transferência da decisão do título para a última jornada do Girabola, não há como não admitir que, ao longo da semana que atravessamos, as conversas desportivas vão estar presas à maior prova futebolística nacional. A questão do título e o corpo-a-corpo que se assiste na zona movediça da classificação constituem o cardápio.

Na verdade, se ao Interclube, que terá feito investimento no sentido de lograr objectivos competitivos, não foi bom o travão imposto pelo Petro, na jornada do fim-de-semana, para a esmagadora maioria daqueles que acompanham a evolução da prova, o facto constitui um motivo de interesse extra.

Não é menos verdade que é a tónica do equilíbrio ou a correlação de forças na luta para um determinado objectivo que valorizam qualquer competição desportiva. Diga-se o que se quiser da qualidade do nosso futebol, tida como sofrível, mas o Girabola atingiu um nível de disputa a todos os títulos agradável.

Duas equipas partem para o “sprint” final quase em igualdade de circunstâncias. Entram na derradeira jornada a acreditar no título, quando já assistimos, em épocas anteriores, a campeonatos que consagravam os respectivos vencedores a cinco ou mesmo seis jornadas do fim. Não houve, no presente campeonato, equipa que tivesse exercido domínio absoluto sobre as demais.

Aliás, em face da disputa que Interclube, Petro, 1º de Agosto, Libolo e Caála souberam travar pelo título, pairavam receios de se chegar à última jornada com três ou quatro equipas igualadas em termos pontuais, o que obrigaria a fazer recurso a outros critérios de desempate para apurar o campeão.

Claro que não está eliminado esse risco, embora apenas duas equipas se possam equiparar em termos pontuais. O Interclube, com 52 pontos, pode, em caso de empate na próxima ronda, totalizar 53, o mesmo número que o Caála pode lograr na eventualidade de sair vitorioso. Embora, nesse caso, a balança penda sempre a favor dos polícias, não deixaria de ser uma clara demonstração do equilíbrio competitivo verificado no campeonato.

Portanto, resumindo, o título ainda continua a ser uma verdadeira incógnita, e sendo o futebol o que é, muito ainda pode vir a acontecer. Em Luanda e no Huambo decorrem os preparativos para a festa da consagração. Resta saber em que céus (luandense e planáltico) se verá o reluzente brilho do fogo-de-artifício.

A história do topo assemelha-se à da zona de rebaixamento. Aí, também há total indefinição quanto à terceira equipa a fazer companhia ao Benfica do Lubango e Sporting de Cabinda. Na corda bamba estão pelo menos quatro. Desportivo da Huíla, FC Cabinda, Sagrada Esperança e Santos FC rogam pela bênção dos deuses do futebol.


Matias Adriano

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