Jornal dos Desportos

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Opinio

FAF e os Sub-17

26 de Setembro, 2014

Depois do empate a uma bola, em Luanda, a eliminatória ficou mais complicada, mas ao que tudo indica há quem já nem sequer acredite nos nossos jovens atletas.

A forma como o seleccionador nacional mostrou a sua indignação pela maneira como está a ser tratada a selecção, em véspera de um jogo decisivo, deixa mais do que claro que o elo mais fraco do futebol nacional reside no dirigismo desportivo. Depois da "gaffe" cometida pela FAF no jogo dos Palancas Negras diante do Burkina Faso, para as eliminatórias de acesso ao CAN de Marrocos, esperava-se por uma mudança radical de comportamento e actuação.

Mas não é isso o que tem acontecido. Pelo contrário, a FAF continua a mostrar alguma incompetência no seu "modus operandi". A Selecção Nacional de Sub-17 teve imensas dificuldades para treinar na semana que está a terminar e vai para o jogo com a Costa do Marfim praticamente para cumprir apenas calendário.

Das poucas vezes que conseguiu reunir o grupo, André Nzuzi trabalhou sem a totalidade dos jogadores convocados. Alguns clubes decidiram por conta própria não ceder os seus atletas devido aos jogos do campeonato provincial. Em alguns casos, os jogadores estiveram ausentes dos treinos sem qualquer justificação.

Ao contrário do que faz quando se trata da selecção de honras, a FAF não mexeu qualquer palha para evitar os constrangimentos vividos pela Selecção Nacional Sub-17. Sabendo de que se ia entrar para a semana do jogo, não custava fazer uma paragem ou adiar a jornada do campeonato provincial de modo a permitir a concentração do grupo às ordens de André Nzuzi.

A postura de alguns clubes, denunciada pelo próprio seleccionador, que decidiram não ceder os atletas em função do compromisso no "provincial", não teve qualquer reacção da FAF. Será que na ponderação de interesses, a jornada do campeonato provincial de Luanda era mais importante do que o jogo da Selecção Nacional, que pode qualificar o país para o CAN? Mesmo que haja quase a certeza de que esta selecção não consegue a qualificação, é desta maneira que devemos preparar o futuro? É com este trabalho na equipa do futuro que se pretende alcançar resultados satisfatórios a nível da selecção principal ?

Estamos convictos de que a resposta é negativa. Enquanto a FAF persistir na ideia de que a selecção de honras é aquela que deve merecer toda a atenção, em detrimento das selecções jovens, jamais o quadro do futebol nacional se vai alterar. Enquanto o objectivo continuar a ser os resultados imediatos, só com alguma sorte vamos chegar aos grandes palcos africanos.

Por tudo aquilo que fez e tem feito, André Nzuzi merecia mais consideração dos gestores do futebol nacional. Os seus jovens pupilos precisam de carinho, de apoio e de conforto. Mesmo sem grandes esperanças, tudo devia ser feito para manterem o sonho vivo até ao último minuto.

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