Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Falsificaes no Girabola

29 de Junho, 2016
A denúncia de falsificação de documentos, no futebol nacional, volta à baila com casos a envolverem jogadores que vêm de fora, para tentarem a sorte no Girabola, mas por caminhos irregulares que vão dar ao crime.

O futebol nacional, desde há muito que está exposto, a essas irregularidades. Estamos recordados da adulteração de idades de muitos jovens, com a cumplicidade de alguns dirigentes, que sem escrúpulos, procuravam resultados desportivos por todos os meios, que penalizaram jogadores e as suas próprias equipas. Muitos destes jogadores com idade adulterada, tinham uma ou duas épocas a brilhar, depois “apagavam,” simplesmente porque a idade real não perdoa, quaisquer que fossem os artifícios que arranjassem para contorná-la.

As situações relatadas ontem, pelo Jornal dos Desportos, expõem a forma como alguns jogadores estrangeiros entram pelas portas do nosso futebol, em muitos casos sempre com a cumplicidade voluntária ou involuntária, de dirigentes de determinadas equipas.

Um fenómeno, que felizmente, a Federação Angolana de Futebol não está alheia, como fez questão de realçar o secretário -geral do órgão, Cardoso Lima, que confirmou existir de facto, casos de adulteração de identidade de jogadores vindos do estrangeiro. Alguns detectados foram enviados aos órgãos competentes da investigação criminal para o devido tratamento.

Em certos casos, os clubes acabaram burlados em quantias consideráveis, o que não deixa de constituir um rombo nos seus cofres, ademais na actual conjuntura do país, em que a falta de dinheiro prolifera na maioria das agremiações e Associações desportivas.

A Federação Angolana de Futebol aperfeiçoou os métodos de controlo dos jogadores inscritos, daí a detecção de casos, de acordo com o seu responsável, mas a denúncia deve partir em primeiro lugar dos próprios clubes, que acabam por ser os mais prejudicados nos caso de concretização da burla.

É suspeito, por exemplo, que um jogador inscrito na secretaria da FAF, como sénior pela primeira vez aos 29 anos. É preciso acima de tudo, que o interesse do futebol seja salvaguardado, e que os dirigentes colaborem na denúncia das situações, ao invés de fecharem os olhos e remeterem-se ao silêncio, diante de situações flagrantes, esquecem-se que com isso, expõem as agremiações que dirigem a fraudes e situações de burla, como as que o JD relatou na edição de ontem.

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