Jornal dos Desportos

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Opinio

Falso problema

03 de Fevereiro, 2018
Afinal, a dificuldade de adoptar o calendário nacional do futebol à programação da CAF e ao calendário dos outros países africanos, tal como é pretensão do órgão que rege o futebol continental, revelou-se como um falso problema, e a sua implementação nos tempos que se se seguem pode-se apenas entender como falta de vontade política das pessoas que ao longo do tempo dirigiram o futebol nacional, depois da FAF e os clubes terem chegado a acordo para a nova calendarização do futebol nacional.
Para já, é bom que se note que a iniciativa desta alteração não partiu de vontades internas, mas surge apenas como cumprimento de uma deliberação do organismo continental.
No país, muitas foram as vezes em que a questão foi debatida, mesmo até em encontros nacionais do futebol, muitos foram os caminhos apontados até chegar-se lá, mas o certo é que o passo decisivo nunca foi dado, como se estivesse à espera de uma ordem superior.
Os representantes angolanos nas Afrotaças, que quase têm sido os mesmos, em função do poderio dos \"grandes\" que conseguem impor-se nas competições internas que dão acesso às provas da Confederação Africana de Futebol, Girabola e Taça de Angola, sempre lamentaram o facto de desfilarem em desvantagem tanto na fase de acesso à Liga dos Campeões Africanos como na Taça da Confederação, pelo facto das nossas competições começarem tardiamente, quando os seus adversários levavam muitos jogos nos pés, com muito mais rodagem dos seus jogadores.
Por esse facto, o descalabro nessas provas era quase inevitável, salvo algumas excepções, em que os clubes optaram por estágios de certo modo intensos fora do país, com alguns jogos de controle.Com as mudanças anunciadas, é preciso aliar, agora, uma programação rigorosa do próprio campeonato, em que se torna imperioso excluir as paragens desnecessárias ou com um tempo alargado.
Acima de tudo, é preciso ter em conta a situação financeira dos clubes que, longe de ser famosa é, ao invés, preocupante, e também o interesse do próprio patrocinador do Girabola, que espera sempre tirar os melhores dividendos pelo dinheiro que investe.
O Girabola de 2018 cujo pontapé de saída acontece dentro de uma semana é um teste à imaginação e criatividade das pessoas da FAF ligadas à programação, mas também é desafio aos treinadores e preparadores físicos das equipas que numa prova disputada com bastante intensidade, como esta que vai ser agora, podem ter uma duplicação de lesões e de problemas físicos dos seus jogadores.
Vamos ter um novo calendário mas com o futebol na generalidade a pagar um custo alto. Com a Supertaça e a Taça de Angola a ficarem engavetadas, quando se sabe que esta última é a única via que permite levar futebol de primeira água a todos os cantos do país.

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