Jornal dos Desportos

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Opinio

Fim de uma carreira

11 de Outubro, 2014
O defesa central do 1º de Agosto e ex-capitão dos Palancas Negras prepara o abandono do futebol, como atleta, aos 36 anos de idade, por não sentir mais motivação para continuar a jogar na alta competição.

Kaly começou a carreira de seniores em Portugal, ao serviço do Barreirense, na época de 1998/1999. De lá para cá mostrou sempre ser um profissional irrepreensível, sendo um dos pontos mais alto da sua trajectória futebolística a presença, em 2006, no Campeonato do Mundo da Alemanha, no qual Angola fez a estreia.

Depois de vários anos, o defesa central trocou o futebol europeu pelo angolano. Foi em 2010 que Carlos Alonso "Kaly" assinou contrato com o 1º de Agosto, clube no qual decide agora encerrar um percurso de mais de uma década e meia.

Com o peso da idade já a influenciar no rendimento, o jogador militar entende que chegou a altura de parar por o corpo estar a começar a cobrar menos esforço, situação que é incompatível com as exigências da alta competição. Consciente de que já não tem muito para dar, Kaly prefere sair no momento certo a ter de ficar a arrastar-se pelos relvados, como acontece com muitos jogadores que insistem jogar mesmo demonstrando estar no limite.

Apesar de estar a abandonar a carreira sem ter podido ajudar o clube militar a conquistar um título no Girabola, o central sai de cabeça erguida por durante os quatro anos que esteve em campo com a camisola rubro e negra ter sido um profissional dedicado e laborioso.

Humilde, inteligente, solidário e de um alto grau de relacionamento humano, Kaly pretende continuar a servir o "exército" a que ainda pertence, embora isso não depende apenas de si mas também de alguma vontade da direcção do clube liderado pelo general Carlos Hendrick.

Os 17 anos ligados ao futebol, com passagens em países como Portugal, Suíça e França, deram-lhe bagagem suficiente para sentir-se agora em condições de fazer a passagem de testemunho, tanto nas vestes de treinador como nas de dirigente, cenários que a concretizar o mantinham ligado não só ao clube como ao futebol de uma maneira geral.

Kaly deixa o futebol como atleta mas estamos em crer que vai continuar a dar o seu contributo à modalidade, procurando ajudar a ultrapassar o momento menos bom por que passa actualmente. A carreira do atleta tem no seu registo de uma presença no Mundial (2006), quatro fases finais do CAN (2006, 2008, 2010 e 2012), uma no CHAN (2011) e a conquista de uma Supertaça (2010), pela equipa militar.

Depois do final desta época e durante algum tempo os prosélitos do futebol nacional vão, de certo, sentir imensas saudades daquele que foi um dos centrais de referência dos últimos oito anos.

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