Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Futebol de formao

02 de Dezembro, 2019
Estar de corpo e alma no desporto não implica andar, necessariamente, na alta-competição. Existem outras formas de participação activa na vida desportiva, longe do plano competitivo. Nas sociedades organizadas, existem estruturas ligadas apenas à formação, e muitas vezes as mesmas chegam a ter mais reputação em relação a clubes que competem, com alguma regularidade, nos principais campeonatos.
Aliás, não vai para muito tempo, tivemos aqui no país escolas que fizeram nome, tal como é o exemplo dos Flaminguinhos da Terra Nova e do Jokasport, que, entretanto, acabaram extintas, por razões que nos são alheias. Nos dias que correm, só diz que nunca ouviu falar em AFA - Academia de Futebol de Angola ou na Escola Norberto de Castro, quem anda no futebol caído de paraqueda.
Acontece que, nos últimos tempos, certos dirigentes do nosso desporto caíram na tentação de supor, que as suas acções só podem ser reconhecidas, estando os clubes que dirigem a competir ao mais alto nível. Daí, a avidez de se qualificarem para o campeonato nacional de futebol da primeira divisão a qualquer custo, onde muitas vezes acabam mal sucedidos, como temos vindo a verificar.
Entretanto, existem clubes, cujo objecto social é fundamentalmente a formação, nunca cogitando sequer a possibilidade de abraçar a alta-competição. A estes os nossos aplausos. Pois, conseguem formar para potenciar outras agremiações e as próprias selecções nacionais, sem se submeterem à tortura psicológica de quem tem de fazer matemáticas frequentes, a ver como suportar a equipa no campeonato.
Temos exemplo de muitas equipas que optaram pela desistência do Girabola, depois de terem aguentado uma ou duas edições com muitos apertos de cinto, levados à conclusão de que ainda podem jogar um papel útil no futebol angolano, mesmo estando fora do seu principal campeonato. E apostaram na formação, que deve começar, naturalmente, na sondagem e prospecção de talentos.
Há clubes ou escolas de formação que acabam inclusive por celebrar acordos de parceria com formações estrangeiras, para onde passam a enviar atletas seus, com objectivo de obter recursos financeiros, para a materialização dos projectos que têm em carteira.
Devemos considerar esta uma forma adulta e inteligente de se estar no desporto. Pensar antes de tudo na formação, ao lugar de assumir como prioridade a alta-competição. O Girabola deixou de ser uma competição barata, para se transformar numa prova milionária. Logo, não ao alcance de todos, bastando para o efeito, olhar-se para o volume de dificuldades por que passam os seus actores e pelas insuportáveis ameaças de desistência a meio da prova a que assistimos.

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