Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Futebol em assembleia

30 de Novembro, 2013
Para já há no seio da família futebolística uma enorme expectativa, aguardando-se que desse encontro saiam propostas concretas e realistas que possam dar contributo válido ao relançamento da modalidade que, na verdade, tem vindo a revelar nos últimos tempos necessidade de um outro sopro de vitalidade.

São de facto muitas coisas a ser discutidas, a começar pelo incentivo das acções de fomento até à reestruturação dos Palancas Negras, passando, é claro, pela normalização das regras no próprio campeonato nacional da primeira divisão, onde pelos vistos muitas coisas ainda marcham à margem da lei.

O futebol é sem dúvida a festa mais popular do nosso povo, e como tal não merece andar a leste, isto é, sem aquilo que o caracteriza como desporto das multidões, o espectáculo bonito, os golos, as enchentes nos campos. Esta é, a bem dizer, a realidade que vivemos nos últimos tempos. E não pode ser assim, sobretudo quando sabemos que ele, o futebol, não anda carente de mentes pensantes.

Aliás, o que tem havido é um certo paradoxo incompreensível. A presença de bons dirigentes, uns emergentes, outros já em fase de reforma, quando a modalidade que eles servem revela o lado inverso da moeda. O futebol tem estado mal, convenhamos reconhecer, e saudamos o encontro de hoje na esperança de que trace as linhas-mestras da sua orientação daqui para diante.

Agora com a sua profissionalização, numa altura em que vemos os clubes que podem a esmerar-se à procura de reforços no mercado externo, pode dar-se o caso de os mesmos investirem pouco nas acções de formação e quando assim se aposta está-se em risco de ter um campeonato com alguma qualidade competitiva mas sem que a mesma se reflicta na qualidade e potencial da Selecção Nacional.

As últimas campanhas dos Palancas Negras deram a ver isto mesmo. Angola está mal a nível da selecção, razão por que tem perdido todas as batalhas, até um CHAN que podia saber como prémio de consolação a quem ingloriamente "tombou na primeira esquina" na corrida ao Campeonato do Mundo de 2014 no Brasil.

Mas nem o passe para a competição continental conseguiu assegurar, entregando a qualificação, quase de mão-beijada, ao irmão do Índico (Moçambique), à partida com menos possibilidades, a despeito daquilo que tinha sido o desfecho dos primeiros 90 minutos da eliminatória em Maputo.

Isso e mais outras coisas deve merecer a apreciação dos homens do futebol, afinal só mesmo eles estão capacitados para a definição de estratégias que podem, a médio ou curto prazo, voltar a colocar o comboio do nosso futebol nos carris para o percurso firme e vitorioso que todo o entendido em matéria de futebol espera.
Aguardemos pelo conclave...

Últimas Opinies

  • 15 de Julho, 2019

    O real papel do gestor desportivo

    As funções de um gestor desportivo não são mais do que as funções de um gestor de empresas, adaptadas e ajustadas às particularidades de um clube ou federação desportiva.

    Ler mais »

  • 15 de Julho, 2019

    Quem explica o desporto angolano?

    O nosso desporto merece um estudo profundo, para se encontrar explicações que justifiquem os resultados que vai tendo.

    Ler mais »

  • 15 de Julho, 2019

    Cartas dos Leitores

    No nosso grupo (A),  somos a única selecção (Angola) que tem a sua primeira participação  a este nível. Canadá vai para a sua sétima, Nova Zelândia.

    Ler mais »

  • 15 de Julho, 2019

    Objectivo falhado

    Angola não conseguiu alcançar o objectivo preconizado no Mundial de Hóquei em Patins, que se disputou em Barcelona, Espanha, acabando por se quedar na sexta posição.

    Ler mais »

  • 13 de Julho, 2019

    Cartas dos Leitores

    Vamos entrar para o campeonato em cada jogo para ganhar, nós queremos começar bem, com o pé direito. Como sabem, já temos o calendário.

    Ler mais »

Ver todas »