Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Futebol jovem

15 de Janeiro, 2014
Continuam a decorrer os campeonatos nacionais de juniores e juvenis em futebol. Um dos torneios tem lugar na província do Huambo e outro em Benguela em regime de concentração. Trata-se de torneios que devem merecer a atenção de todos.É importante que o futebol nos escalões inferiores tenha o seu espaço no plano competitivo, de modo que os seus actores trabalhem a base e quando amanhã ascenderem ao escalão superior denotem poucas debilidades. O nosso futebol carece, na verdade, de um sopro de vitalidade.A crer nos relatos dos que acompanham de perto a evolução das provas, os jovens futebolistas têm revelado muita maturidade, técnica e habilidade, o que é salutar para um país com uma selecção que tem deixado muito a desejar e é carente de injecção de sangue novo.

Nos últimos tempos fomos assistindo a uma grande retracção no futebol jovem, o que não deixava de preocupar os principais agentes da modalidade.Pois, sempre que se falava de futebol, a referência recaía nas equipas já seniores, consagradas, sejam elas da primeira ou da segunda divisão. Muitos defendiam que para maior motivação da massa juvenil e incentivo à sua adesão à prática futebolística, era importante haver acções bem definidas, numa coordenação que compreendesse o eixo Federação Angolana de Futebol-Associações Provinciais-Clubes. Às associações cabia movimentar os campeonatos provinciais nestes escalões que, por sua vez, apuravam os seus representantes para uma fase nacional em regime de concentração. Assim, tínhamos atletas cujas qualidades e desempenho podiam ser objecto de um acompanhamento da base ao topo. Hoje parece que estamos a trilhar este caminho.

É evidente que todo este processo requer alguma saúde financeira, e conhecemos os problemas que a esmagadora maioria de clubes enfrenta neste capítulo. Afinal, se a “ginástica” financeira para o apoio de acções de equipas do escalão superior que militam na primeira divisão é aquilo que é, não vemos logicamente as direcções de clubes investirem fortemente nos escalões de formação. Mas alguns estão a tentar, o que é muito positivo.Afinal ninguém constrói o futuro sem ter uma política séria e responsável de investimento nos escalões de base. Nos últimos tempos, o sector empresarial, outrora responsável pela vitalidade de muitos clubes, fechou-se aos patrocínios. E fazer desporto, hoje, é quase um acto de heroísmo.E a evolução do futebol jovem está condicionada ao desafogo financeiro dos clubes. Enquanto a crise persistir, as suas acções vão continuar limitadas, não obstante a vontade e determinação daqueles que sempre o incentivaram.

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