Jornal dos Desportos

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Opinio

Futebol ontem e hoje

27 de Maio, 2017
O futebol é no universo desportivo, a modalidade de maior paixão, aquela que pelo mundo tem a particularidade de movimentar enchentes para os Estádios e rios de dinheiro. Entretanto, em Angola, nos últimos anos, a qualidade do futebol e consequentemente dos seus actores está a baixar consideravelmente.

Para se ter uma ideia, em 1997, Angola era a 50ª melhor selecção do Mundo. Hoje, e se olharmos para a mais recente actualização, notamos que se situa entre as piores nações, abaixo de países como Cabo Verde, Guiné Bissau, e de outros de menor expressão futebolística.

Em todo o caso, percebe-se que os tempos sejam outros, e a realidade também. Mas estes números transmitem-nos uma valiosa lição. Sem querer identificar culpados, está claro, que a regressão da qualidade do futebol nacional tem a ver, primeiramente , com a falta de objectivos claros. Também há indícios, de que o foco dos que estão na gestão, é apenas um: participar em competições continentais, sem atenção ao trabalho de fomento.

Só assim se pode justificar, que em mais de duas décadas, com o país assente em novos alicerces, ou independente se preferirem, a Federação Angolana de Futebol tenha trocado de seleccionador mais de 30 vezes. Entretanto, todos estes pormenores já foram discutidos e identificado o mal, agora, a questão consiste em encontrar soluções para se sair da situação menos boa, em que se está.

Clubes, como 1º de Agosto e Petro de Luanda, que já produziram grandes talentos, são exemplos a seguir no que se refere às políticas de formação. Faltam-nos planos a médio e longo prazos, e homens competentes e capazes de cumprir com rigor, os objectivos traçados para o futebol.

Com as mudanças operadas, recentemente, na Federação Angolana de Futebol, com a eleição de nova direcção vislumbra-se alguma luz no fundo do túnel. Espera-se por algum rigor e sentido de disciplina, na execução dos planos. É isto que leva ao desenvolvimento, no mundo do desporto e do futebol, em particular.

Na verdade, estão anunciados novos tempos para o futebol nacional . É certo que os novos gestores da modalidade não são milagreiros, é necessário dar-lhes tempo para que mudem as coisas, e mostrem os frutos do trabalho. Assim, vamos acreditar na capacidade empreendedora dos homens. É uma questão de dar tempo ao tempo, para os frutos começarem a cair. Mas uma coisa é certa: ninguém mais, está a fim de continuar a ver o futebol nacional no mesmo estágio. Que venham os novos tempos e os novos ventos.

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