Jornal dos Desportos

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Opinio

Geografia do Girabola

23 de Outubro, 2013
Depois da despromoção da equipa do Santos FC, vendo o Atlético Sport Aviação-ASA também na iminência de conhecer o mesmo destino, levam-nos as leituras a prever uma redução de equipas de Luanda na próxima edição do Girabola.

Pois, havendo despromoções não compensadas com outras subidas, não há como não se verificar uma baixa numérica. Este é um sinal de busca paulatina de algum equilíbrio geográfico do campeonato? Espera-se que sim.

Pois, temos vindo nos últimos tempos a assistir a campeonatos de total desequilíbrio geográfico, onde a província de Luanda acaba por representar 50 por cento da prova. Este quadro, na verdade, podia ser admissível em determinada época das diferentes etapas do percurso do país, mas hoje já não.

Na década de 90, em que a situação era quase crítica em todo o país, províncias havia que não tinham condições para manter uma vida desportiva saudável, pois enormes eram os constrangimentos. Sendo que Luanda, onde o clima era de alguma estabilidade, se desenvolvia futebolisticamente.

Nessa fase, infelizmente, equipas daquelas províncias que no meio de dificuldades de toda a sorte ainda faziam algo para estar representadas no Girabola, não sobreviviam às despromoções, como consequência da falta disto e daquilo. Ao contrário, Luanda via aumentar o número de equipas no campeonato. E daí o desequilíbrio. Faz tempo que não víamos em fim de campeonato uma equipa da capital rumar para o escalão inferior.

Mesmo o Progresso, que um dia alguém apelidou de “elevador” em face das suas subidas e descidas sistemáticas, conseguiu estabilizar-se, desde que o economista Paixão Júnior entendeu assumir a sua direcção.

No Girabola'2012 por pouco Luanda tinha uma nona equipa, não tivesse o Norberto de Castro o caso que se conhece. Logo, temos vindo a acompanhar a evolução de um campeonato nacional, mas com muito pouca representatividade. E o quadro que agora se desenha anuncia claramente o fim da hegemonia luandense.

No próximo campeonato vamos ter o norte do país melhor representado, com o regresso de Cabinda à alta roda e também do Uíge, que já foi um baluarte do nosso futebol nos bons tempos do FC do Uíge e Construtores. Se o Girabola é, como temos vindo a apregoar, a expressão máxima do nosso futebol, então é bom que as suas emoções sejam vividas por mais gente, por mais províncias.

É evidente que desde a primeira edição do Girabola, Luanda teve sempre maior representatividade. Além das actuais equipas já teve os Diabos Verdes (Sporting), D.Cuca e Rangol. Mas nunca todas presentes na mesma edição.

O número em regra rondou sempre entre quatro e cinco equipas, no máximo. Se queremos um campeonato mais nacional, e sendo que 16 é o número limite de equipas na prova, não temos como não olhar para a redução de equipas de Luanda como solução para a participação de outras povíncias. Ao que tudo indica em 2014 podem ser apenas seis contra dez de outras províncias. Aí sim, o Girabola pode ser tomado, sem reservas, como campeonato de representatividade nacional.

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