Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Gesto significativo

14 de Fevereiro, 2019
Em reiteradas ocasiões já abordamos a crise de formação, que campeia no futebol dos nossos dias, em que se assiste a uma gritante falta de recintos de praticabilidade deste desporto em quase todos os bairros das grandes cidades, em Luanda particularmente. Também reiteradas vezes elogiamos o esforço daqueles que, por própria iniciativa, sempre procuraram formas de investir na modalidade.
Nos últimos anos em Luanda surgiram escolas de formação, como os Flaminguinhos, a Jokasport e outras, que tiveram uma vida efémera, apesar da sua serventia, por falta de recursos suficientes para a sua manutenção, pois os respectivos proprietários jamais beneficiaram de apoio do Estado, em face da utilidade do seu investimento.
Uma destas escolas, os Flaminguinhos da Terra Nova, por exemplo, lançaram para a ribalta um jogador, o único angolano que passou pelo Old Trafford, ainda que não tenha sido muito bem sucedido, acabando cedido para outro emblema europeu. Falámos de Manucho Gonçalves, cujas qualificações ninguém as pode questionar.
Resumindo, iniciativas privadas para dar vitalidade ao futebol existem. O que não existe são apoios, de quem sensibilizado pela obra, e mais do que isso pelos resultados, devia ao menos, de forma isolada, procurar agradar o investidor com algo, ainda que ínfimo. Pois, o que conta muitas vezes não é o poio material, mas o moral vale muito.
Norberto de Castro, proprietário da escola de futebol com o mesmo nome, foi surpreendido a semana passada pela positiva, pelo Ministério da Juventude e Desportos, que lhe fez chegar uma oferta consubstanciada em diverso material desportivo. Tratando-se do primeiro gesto, desde que a escola existe, o bom do homem não deixou de dizer o que lhe ia na alma.
Bonita na fotografia sai a actual direcção do Minjud, encabeçada por Ana Paula Sacramento Neto, por ser a primeira, entre tantas outras antecessoras, a dar tal passo, que expressa a importância que aquela escola de futebol assume no universo do nosso desporto. Por aí se pode compreender, que o desinteresse por aquilo que uns fazem com certo esmero, nada tem a ver com as políticas do Estado. Os bons e os maus gestos dependem dos homens, que decidem nos seus respectivos pelouros.
Pois, Norberto de Castro ao dizer o que disse, fica vestido de razão. Porque se a actual direcção do Minjud teve este gesto louvável, em tempo da gritante recessão económica, as anteriores direcções, que geriram em tempo de vacas gordas, podiam ter feito muito mais. Só não o fizeram porque não quiseram. Ou, dito por outras palavras, nunca valorizaram o trabalho dos homens que investem no futebol.
Aliás, Norberto de Castro, escola de que são originários vários jogadores já com nome no futebol nacional, sendo Geraldo a maior referência, é um exemplo de persistência, porque o seu proprietário também já havia declarado o encerramento da mesma, tendo, estamos lembrados, ficado um ano fora de actividade. Mas como quem gosta de algo que gosta, gosta mesmo, Norberto viria a reabrir a sua instituição.
Pensamos que, iniciativas privadas devem sempre chamar alguma atenção e serem encorajadas com pequenos gestos, que acabam por ser de grande significado, como este do Ministério da Juventude e Desportos. Chegados aqui, entendemos que de parabéns não só está a escola de futebol Norberto de Castro, mas também o próprio ministério, pela grandeza do gesto. Bem haja...


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