Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Girabola at 2014

06 de Novembro, 2013
A exemplo de outras manifestações artísticas, as tendências do futebol são também a expressão dos tempos. E nem é exagero dizer que, deste ponto de vista, o tipo de jogo que dominou a última edição do Girabola é a antítese do futebol especulativo que tantas vezes vimos sair em glória, fosse à custa desta ou daquela estrela ou apenas à boleia de tácticas baseadas no engodo.

Desta vez, o que vimos de mais forte foram equipas solidárias, dispostas a ocupar cada centímetro de todo o terreno em que a bola pode ser jogada.O Bravos do Maquis, a grande surpresa da temporada, pelo futebol praticado e pelo terceiro lugar alcançado no Campeonato Nacional, é bem o exemplo do que afirmamos, bem como o campeão nacional, o Kabuscorp do Palanca.

O padrão de jogo que saiu da edição 2013 do Campeonato Nacional é contra o futebol especulativo, que come fases de construção, aliena espaços para explorar entrelinhas através de falsas funções de falsos jogadores. Ao contrário dos anos anteriores, venceu a posse de bola intensiva e a ocupação extensiva da terra, servida por executantes com qualidade de passe.

Daniel Mpelempele (Kabuscorp); Job (Petro de Luanda); Mano (Progresso); Manucho (1º de Agosto), só para citar estes, souberam conferir ao campeonato o aspecto artístico que faltou nos anos anteriores
O futebol sai da edição 2013 do Girabola com um padrão que outras actividades gostavam de ter já encontrado para sair desta crise que teima em nos apoquentar: as melhores equipas (Kabuscorp e 1º de Agosto) agiram segundo princípios colectivos inalienáveis e basearam o seu jogo na posse da bola e na completa ocupação do campo.

Talvez tenha residido aí a diferença que os separou de outros concorrentes ao título, relegados para plano secundário na hierarquia da competição interna mais importante do calendário da FAF.O defeso pode ajudar estas equipas a recuperar e procurar descobrir os motivos dos seus fracassos e depois caminharem seguros rumo a uma melhor temporada em 2014, em que venham a ter acções mais consentâneas e com objectivos bem definidos.

Se pudéssemos repetir os trechos da História da Humanidade em que expressões artísticas constituíram sinais precursores de novos regimes e modos de vida, então este padrão de futebol que saiu do “Girabola 2013” era uma excelente vanguarda para um novo compromisso do mundo com os seus valores mais reais. Vamos acreditar que a próxima época pode superar as estatísticas de 2013.Em Fevereiro a prova volta à arena com outras motivações, novos desafios, novas emoções. Três novas equipas vão juntar-se à festa, com a alegria de o campeonato poder voltar ao Uíge, uma terra que marcou de forma brilhante as primeiras edições com os seus representantes, FC Uíge e MCH. O tempo passa rápido. Muito em breve voltamos aos campos.

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