Jornal dos Desportos

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Opinio

Girabola e a crise

21 de Dezembro, 2015
Numa altura em que a crise financeira se vai agudizando deviam os clubes desportivos partir para uma redefinição das suas políticas de actuação. Ou seja, devem avaliar até que ponto vale a pena investir na alta competição a nível de futebol ou em modalidades menos exigentes e menos dispendiosas. Pois, fazer desporto e conquistar espaço não tem de ser necessariamente ao mais alto nível.

Aliás, no passado tivemos na nossa praça agremiações desportivas que conquistaram espaço sem terem militado no Girabola. Os exemplos abundam. Podemos evocar emblemas como Vila Clotilde, CDUA, Bangu do Bairro Operário e mais pra cá Os Persistentes. Portanto, há várias formas de existir como clube de renome sem estar no Girabola.

Passa-se que nos últimos tempos alguns gestores desportivos meteram na cabeça o conceito de que só se é clube de referência militando no campeonato nacional de futebol da primeira divisão. E por esta via vão enfrentando as vicissitudes que envolvem esta competição. Não há edição que decorre até ao fim sem os famigerados problemas de falta de verbas da parte de algumas equipas.

Amanhã a Federação Angolana de Futebol vai sortear a próxima edição do campeonato nacional da primeira divisão. Das 16 equipas inscritas muitas não gozam de uma boa saúde financeira. Mas estão ai firmes e prontas para partirem ao desafio. Às vezes com um capital que garanta apenas a realização sem muitos apertos das primeiras seis jornadas e depois soltarem o grito de socorro.

Talvez se podia evitar este cenário, que atrapalha, em última instância, a programação da própria federação, sendo a ela que cabe o exercício de ajustes e arranjos na eventualidade de se consumar uma desistência. Não foi má a opção da Académica do Soyo assim como má também não foi a decisão ou estratégia definida pelo Petro do Huambo.

Por exemplo, o 1º de Maio de Benguela, que tem andado num ritmo de elevador, subindo e descendo sistematicamente, regressado este ano à primeira divisão, já se queixa sobre a falta de condição financeira para fazer face à competição, e só estamos na pré-época, em que a preocupação das equipas está voltada na sua preparação.

Dai se podem adivinhar os problemas que se esperam no próximo campeonato. É certo que até aqui, o que tem havido só são reclamações e ameaças de desistência. Nunca se consumou uma desistência a meio da prova, porque surge sempre uma magia através da qual se salvam as equipas em aflição. Mas, com o apertar de cintos que a realidade actual nos exige, tudo pode acontecer.

Esperamos bem que consigam as equipas aguentar às obrigações da prova. Quem procura a fama de girabolista deve estar a altura das exigências da prova. Ou pode ou não. Não se deve viver de aparências. Portanto, quem sente o cofre furado, se calhar, convém renunciar já a participação antes, mesmo que para tanto tenha de passar a bola a quem pode.

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