Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Glorioso h 40 anos

01 de Agosto, 2017
Hoje é um dia especial para as gentes do Clube Central das Forças Armadas Angolanas. Com efeito, foi a 1º de Agosto de 1977 que um grupo de militares com forte vocação desportiva, fundou esta agremiação desportiva, indubitavelmente a mais popular de Angola e aquela que mais adeptos possui. Em 40 anos conquistou uma reputação desportiva que transcende os limites das nossas fronteiras.

O poder competitivo do 1º de Agosto não vem de hoje, remonta da sua fundação em quase todas as disciplinas que congrega. No futebol, por exemplo, a sua costela mais forte, assumiu se vencedor desde os primeiros anos da sua existência. Em 1978, ainda a engatinhar deu mostras da sua bravura competitiva no célebre \"Torneio Ano da Agricultura\", superando um Progresso do Sambizanga, também apetrechado de valorosas unidades.

Em Dezembro de 1979, com a criação do campeonato nacional da primeira divisão, se alguém ainda ousava duvidar do seu poderio, acabou chamado à razão. Num torneio super-disputado, com 24 equipas, a equipa comandada tecnicamente por Nicola Beraldineli revelou-se numa máquina demolidora, passando com classe por todos os adversários que lhe cruzaram o caminho até chegar à final, que venceu, já em Março de 1980, sobre o Nacional de Benguela por 2-1.

A equipa sensacional voltava a subir o pódio nas duas edições que se seguiram, sagrando-se no primeiro tri-campeão do Girabola. O seu plantel era constituído pelos mais sublimes valores do mercado, sendo quase a base da Selecção Nacional da época. Napoleão Brandão, Ndunguidi, Mascarenhas, Zeca eram só das estrelas que espalhavam brilho nas quadras pelo rubro-negro.

Entretanto, a força deste clube não se fazia sentir apenas no futebol. Nas outras disciplinas como basquetebol, andebol, atletismo e hóquei em patins dava igualmente cartas. A determinada época era o clube mais representativo do país, sendo que movimentava um sem número de disciplinas, incluindo o paraquedismo desportivo.

É certo que no desporto o futebol acaba sempre por ser o cartão de visitas. Por esta razão em certas ocasiões o clube acabou por ficar mal na fotografia, em fase de crises cíclicas, que acontecem com qualquer competidor. Mas, apesar de tudo, a sua massa de adeptos sempre se manteve fiel ao clube mesmo nos momentos mais delicados como aquele que viveu de 1983 a 1993. Dez anos de crise de títulos.

Foi na época em que o campeonato ao receber as formações do Petro de Luanda e do 1º de Maio de Benguela, em 1981, ganhou maior disputa, com estes dois novatos a assenhorarem-se do poder competitivo, com maior predominância para o Petro de Luanda que foi dominador naquela década.

Por alguma ironia do destino, a equipa militar acaba de sair de um outro ciclo igual. Ou seja, de dez anos sem título. Pois depois de erguer o troféu em 2006 às mãos de Jan Brower, apenas em 2016 conseguiu quebrar o enguiço. Porém, estes tropeços não lhe retiram a grandeza conquistada ao longo dos anos. É um clube glorioso como lhe chamam os adeptos. A mais recente alegria veio do andebol, com vitória nas duas classes, feminina e masculina. É obra...

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