Jornal dos Desportos

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Opinio

Goleadores em seca

17 de Maio, 2015
Na semana que hoje termina, o Jornal dos Desportos fez uma reflexão sobre a fraca produtividade dos avançados nesta edição do Girabola. À três jornadas do término da primeira volta, ou seja, disputadas 12 jornadas, o saldo de golos dos concorrentes ao prémio de melhor marcador é francamente desolador.Os dois jogadores, que comandam a lista, têm sete golos apontados e pelo andar da carruagem, estão longe de bater o recorde estabelecido em 1980 por Carlos Alves, quando numa só edição marcou 29 golos, que até hoje o “eterniza” como o melhor artilheiro de todos os tempos.

Trinta e cinco anos depois, parece que ainda não vai ser desta vez, que vamos ver o recorde de melhor marcador ser quebrado. Os golos são os condimentos de maior atracção numa partida de futebol, cabe aos avançados a grande responsabilidade de ajudar as suas equipas a liderar a estatística de ataque. Embora jogadores de outros sectores não estejam isentos de contribuir nesse sentido, é aos pontas de lança que recaem as maiores exigências, até porque, a função em campo é mesmo essa: marcar golos.

Na análise feita, apontaram-se os factores que constituem o “calcanhar de Aquiles” que tem contribuido para o declínio da qualidade do nosso futebol. A deficiente formação dos atletas é a questão número um, mas a falta de jogadores com aptidões natas para jogar na frente de ataque, também é vista como outro obstáculo à pouca produtividade dos atacantes.

Jogadores como Albert Meyong, Love Cabungula, Ary Papel, Rasca, Patrick, só para citar esses, que normalmente estão entre os melhores marcadores, não figuram este ano na lista dos cinco primeiros que comandam a artilharia, o que levam os fãs a comentários sobre a ineficácia que demonstram.Em 30 jornadas, a média de golos dos que se sagram melhores marcadores caiu para metade, ou seja, 15, quando se esperava um pouco mais. Daí talvez a dificulade em quebrar-se a barreira dos 29 golos apontados no longíquo ano de 80, por Carlos Alves.

É importante uma maior aposta na formação para que tenhamos jogadores com maior valia técnica, dotados de fundamentos essenciais ao seu melhor desempenho em campo. É visível, que se tem de trabalhar mais a recepção da bola, o passe, o cabeceamento, o posicionamento em campo, o jogo sem bola, enfim um conjunto de pormenores que podem fazer a diferença.Está pois provado, que quando bem preparados, os jogadores, não importa em que posição actuam, estão em melhores condições de desempenhar o seu papel. O actual número de golos dos avançados, que lideram a lista de melhores marcadores, é pobre. Estamos a correr o risco de voltarmos aos tempos em que o melhor marcador não facturava mais do que 12 golos, a média mais baixa até hoje. Está na hora de quebrar essa malapata.

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