Jornal dos Desportos

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Opinio

Golpe no Girabola

30 de Abril, 2018
A edição deste ano do Girabola vai seguir amputada, doravante, com a confirmação da desistência da formação do JGM do Huambo que sustenta a posição com o argumento de viver dificuldades financeiras.

A atitude do conjunto do planalto central é a consumação de uma intenção manifestada ainda no campeonato anterior, quando a direcção do clube anunciou na altura a retirada da sua equipa do campeonato, entretanto depois deu o dito por não dito, continuou em prova até à derradeira jornada entre os grandes, após esforço titânico para garantir a permanência, em detrimento de formações como o ASA e o Santa Rita do Uíge.

A Federação Angolana de Futebol confirmou a desistência, que trás dores de cabeça a algumas formações, mesmo com os arranjos do órgão reitor. Para já e como primeira medida, vão retirar pontos às formações que pontuaram no confronto com a turma do Huambo, nesta primeira volta do Girabola.

Interclube e Kabuscorp do Palanca ficam com menos três pontos na classificação e com isso, a equipa do Palanca desce para terceiro posto, enquanto o 1º de Agosto passa agora para segundo classificado.

Temos de deixar que impere a verdade desportiva, porque há equipas que ficam claramente prejudicadas com a desistência, enquanto outras, esfregam as mãos de contentamento.

Parece ser a primeira vez na história, que a principal prova do futebol nacional fica reduzida com menos um participante. Nas edições anteriores, várias formações ameaçaram abandonar pelas mesmas razões, mas acabaram por permanecer.

Trata-se, como exemplo, os casos do Atlético Sport Aviação (ASA), Sporting de Cabinda, Progresso da Lunda - Sul, Recreativo da Caála do Huambo, Académica do Lobito, 1º de Maio de Benguela e o próprio JGM.

A desistência do JGM deve levar à reflexão sobre a necessidade das equipas participantes no Girabola apresentarem garantias financeiras acerca das suas possibilidades ou não, de suportarem o peso da competição no futuro, para que casos semelhantes não se repitam ou ocorram situações em que clubes a meio da competição manifestem intenção de desistir, o que deixa a competição sob grandes incertezas, como já aconteceu.

É evidente que essa atitude acaba por lesar os adeptos locais, particularmente os da cidade do Huambo, que ficam privados de futebol de primeira água, que têm como alternativa à deslocação ao reduto do Recreativo da Caála.

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