Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Greve no Asa

25 de Fevereiro, 2019
O Atlético Sport Aviação- ASA, um dos maiores emblemas da capital, pode estar a viver dias difíceis. A braço com problemas derivado da crise financeira, que campeia por ai, afligindo quase a todos, está há largos meses em dívida com os seus atletas e funcionários administrativos, a ponto de a situação desatar em greve. A direcção do clube bem procurou gerir a situação, de modo que a equipas de futebol continuasse a trabalhar. Porém, notícias de última hora dão conta de uma situação de insatisfação total.
Até ontem falava-se no risco de a equipa falhar, na próxima quarta-feira, o jogo com o Sagrada Esperança da Lunda Norte, para a 16ª jornada do Girabola.Dia 18 era a data que estava estabelecida, para a equipa retomar os trabalhos, depois de uma concertação com a direcção do clube, que no entanto foi violada pelos atletas. Fala-se numa divida a rondar seis meses de salários e outros prémios.
Na verdade, isto representa um período de tempo colossal, para quem assume responsabilidades familiares.O arrastamento da situação até a este ponto, segundo consta, está relacionado com a falta de cumprimento dos principais patrocinadores do clube, sujeito assim a fazer um grande exercício para poder honrar com os seus compromissos do dia-a-dia. Há, portanto, alguma esperança de que a direcção consiga vir dar volta por cima e se normalizar a situação.Desde que despoletou este caso, esforço tem vindo a ser desenvolvido para contactar a direcção do clube e ouvir a sua versão, no quadro do recomendado cruzamento de informação, sem sucesso.
Não se consegue entrar em comunicação quer com o presidente, quer com outros membros directivos.Se é que a direcção do clube estava a esconder ou a gerir inteligentemente a situação, a reacção pública, feita via televisão, por funcionárias administrativas veio precipitar as coisas. Ficou subentendido, que o clube estava a passar por algumas dificuldades financeiras que podiam denunciar outras situações, eventualmente, camufladas.
Agora o que escapa à nossa compreensão é como a direcção permitiu, que as coisas chegassem a este estágio. Em gestão, quando nos chegam os sinais de crise, há como acautelar as coisas. Não havendo a mesma renda do outro tempo, o clube podia, por exemplo, não apostar em contratações onerosas, e se fosse caso para tanto reduzir o pessoal administrativo.
Permitiu-se que as coisas chegassem até onde chegaram, e as consequências podem ser drásticas para a imagem de um clube de referência desportiva. Os funcionários podem levar o clube aos órgãos de Justiça, modalidades de menor expressão podem ser extintas, e mesmo o futebol pode não ter condição para suportar o campeonato até ao fim. Portanto, muita coisa pode acontecer nas hostes do clube aviador nos próximos dias.


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