Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Gritaria no Sambila

28 de Dezembro, 2019
As águas estão agitadas lá prós lados do Sambila. O Progresso Associação Sambizanga, um dos maiores emblemas da capital, pode estar a viver o pior momento da sua existência. Afectado pela crise financeira, que a todos aflige nos dias presentes, há largos meses que está em dívida com os seus activos, sobretudo com o pessoal administrativo.
Tudo indica que a situação estava a ser gerida interna, paciente e inteligentemente, obedecendo a concertações entre a direcção e trabalhadores. Porém, em face do incumprimento de uma das partes, no caso a patronal, a lavandaria perdeu as paredes, a roupa está agora a ser lavada em praça pública. Os lesados remeteram o caso aos órgãos de Justiça. A coisa está feia, diga-se.
Diz-se que funcionários administrativos, a minguar há mais 30 meses, o que equivale a dois anos e meio, decidiram paralisar as suas actividades, pelo longo tempo que não recebem os seus honorários, o que na verdade representa grande embaraço para quem tenha responsabilidade familiar, como parece ser o caso da esmagadora maioria.
Não se sabe, ao certo, como o caso se foi arrastando até chegar a este extremo. Desde que despoletou, esforços têm vindo a ser desenvolvidos de nossa parte, para contactar a direcção do clube na pessoa do seu presidente, mas sem sucesso. Mais disponível à prestação de declarações, mas com algumas limitações na abordagem, já que há assuntos que são apenas da alçada do presidente, tem sido o vice Manuel Dias dos Santos.
Sabe-se que o caso já vem de há muito. Mas a direcção foi remediando aqui e ali. E talvez colocando o futebol numa posição privilegiada, na condição de cartão de visita da colectividade, em detrimento de outros que, fora de campo, também dão o litro pelo clube. Só assim se pode compreender que a equipa esteja a disputar, sem muitos gritos, o Girabola, embora calcule-se que a este nível também um ou outro pendente não devem faltar.
Permitiu-se que as coisas chegassem até onde chegaram, e as consequências podem ser incalculáveis. Os funcionários agora aguardam por aquilo que será a decisão do Tribunal. Pelo curso das coisas, é quase certo que modalidades de menor expressão venham a ser extintas, e mesmo o futebol, pode não ter condição para aguentar o Girabola até ao fim. Portanto, muita coisa pode acontecer nas hostes do clube sambila nos próximos dias.
Questiona-se, por exemplo, a actividade dos autocarros que o clube conseguiu de um dos seus patrocinadores, no caso a Angoaustral. Pois, o objectivo era por os mesmo a fazer serviço de transportação de passageiros, como fonte de receita alternativa para algumas acções do clube. Ao que soube o Jornal dos Desportos, os mesmos parece carecerem da documentação necessária para o serviço público de transportação.
Seja como for, também é verdade que pelas obrigações da agremiação, que consistem em outras acções, nada a ver com salários de trabalhadores administrativos, as receitas provenientes da operação dos mesmos autocarros, seria, ainda assim, irrisória. Daí a necessidade do clube se desdobrar em outras frentes, a ver se consegue sair da enrascada em que se acha neste momento. É coisa para dizer que no Sambila “o game está rijo”...

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