Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Grito de socorro

20 de Janeiro, 2015
O futebol nacional é fértil em situações descabidas. Situações que apenas servem para desprestigiar os seus autores. Vem isto a propósito do grito de socorro vindo do Sporting de Cabinda, cujo presidente de direcção voltou a reiterar a intenção da sua equipa desistir da disputa do Girabola, por dificuldades financeiras.

Uma situação caricata, diga-se, porque é a mesma ladainha de sempre. Todos nos anos o Sporting de Cabinda ameaça em não disputar a principal prova futebolística do calendário da FAF. Contudo, nunca esta ameaça foi consumada. Estamos a sensivelmente um mês do abrir de hostilidades; do pontapé de saída do Girabola, que acontece a 14 de Fevereiro próximo. A prova terminou em Novembro passado. Passaram-se já dois meses e os dirigentes dos leões de Cabinda já tiveram tempo suficiente para analisar o que foi feito a temporada passada e perspectivarem a nova época.

O tempo dos clubes esperarem apenas que o Estado apetreche os seus cofres já acabou. Os nossos dirigentes têm de ser perspicazes na procura de outros patrocínios e não ficarem sentados a espera do telefonema do Governo a confirmar que o dinheiro já caiu na conta. Pelos vistos é isso que tem acontecido com o Sporting de Cabinda.

"Continuamos a atravessar algumas dificuldades financeiras e os apoios não surgem. Não podemos continuar a alimentar esperanças quando na verdade estamos a atravessar uma situação complicada e que requer ponderação para não cometermos erros". As dificuldades financeiras que o clube vive não é de hoje muito menos de ontem. Uma situação até certo ponto compreensível. Contudo, diz a sabedoria popular que "quem não tem não inventa modas". Temos de viver consoante a nossa realidade.

Isto para dizer que se o clube não tem capacidade financeira para continuar na alta competição deve retirar-se. Encerrar temporariamente o escalão sénior e apostar mais nas camadas jovens. Muitos clubes fizeram esta travessia do deserto. Um destes clubes foi o Atlético do Namibe, que optou por fechar as portas ao escalão sénior devido a situação desastrosa das suas finanças. No início houve quem criticasse a decisão dos seus dirigentes.

Mas hoje todos estão de acordo, porque o clube está a emergir. Está a sair do pesadelo a que esteve votado. Nos próximos anos o clube estará de volta a alta competição. Mas sem cometer os mesmos erros do passado. Aliás, os erros ajudam-nos a corrigir o que fizemos de mau no passado.
Os dirigentes do Sporting de Cabinda devem reflectir, porque os dias aproximam-se para o início da nova época, e até ao momento o clube não tem ainda definido o plantel e muito menos as inscrições junto da FAF, situação que deixa os seus adeptos e a população de Cabinda preocupantes.

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