Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Grito de socorro

12 de Julho, 2015
Tal como ele, muitos estão na sua condição e muitos outros que já partiram deste mundo passaram as mesmas necessidades, depois de terem dado um grande contributo ao desporto nacional. Talvez por isso, seja cada vez mais premente e imperioso que se crie um sistema de protecção social, na área do desporto, para salvaguardar os interesses dos desportistas, que em termos de trabalho têm uma carreira curta.

Na entrevista que concedeu a este jornal, Eduardo Laurindo, recordou com nostalgia a trajectória e o contributo dado ao desporto e diz ter o elevado sentimento do dever cumprido. Mas em termos de contrapartida, a apreciação já não é a mesma, pois por tudo quanto fez pelo futebol, dentro e fora do país, merecia uma outra atenção.

O jogador representou o FC Porto e foi um dos mais talentosos futebolistas de todos os tempos, vive hoje confinado no bairro do Camazingo, na cidade do Lubango, em condições precárias, numa casa à beira de ruir.

“A vida é muito dura para nós. Vivemos aqui, em péssimas condições, sem ninguém se lembrar dos antigos feitos. Vivemos por milagre nesta reles casa (…)”desabafou a este jornal e aproveitou para fazer um apelo de ajuda às autoridades de direito e à solidariedade de pessoas caridosas, no sentido de proporcionar melhores condições de vida.

Eduardo Laurindo foi uma “fera” e jogou ao lado de outras como Mário Portela, Catarino Portela, Inguila, Inácio Cata, Beja, Pitorra, Cristóvão, Pelé, Abreu “Gigito”, João Machado, Orlando Veloso, Pontes, Hélder, Juca, entre tantos outros, que ajudaram a dar os primeiros passos no nosso futebol, tendo ele feito furor nas célebres jornadas “Angola-Cuba”.

O antigo futebolista lançou o grito de socorro, através das páginas deste jornal, que como veículo de difusão fez chegar a mensagem a milhares de angolanos, tanto para aqueles que são detentores do poder público como tantos outros, que podem intervir por via da caridade.

Tinha dito, sabiamente, o Presidente da República, num passado recente, que aqueles que têm mais posses devem ajudar os que menos têm. Na verdade, é preciso que exercitemos, sempre que necessário, o nosso lado altruísta. No país existem muitas empresas que geram receitas resultantes da actividade económica que desenvolvem, mas raramente apostam em acções de carácter social nas comunidades onde estão inseridas. Esta, certamente, era uma forma de mostrar solidariedade para quem precisa.

Eduardo Laurindo fez a sua parte, enquanto pôde, hoje precisa de quem lhe estenda a mão para não perder a dignidade humana. Sejamos benevolentes e atendamos àqueles que clamam por apoio.

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