Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Hasta siempre heri Pepino

16 de Agosto, 2018
Alberto Silva ou simplesmente “Pepino”, como era carinhosamente apelidado, partiu e deixa um grande legado, não só para o ciclismo a que esteve ligado por várias décadas, mas também para o desporto no país, no geral, nas suas mais variadas amplitudes.
O filho de Benguela, o atleta, o desportista, que, além dos vários anos dedicados ao ciclismo, foi também praticante do desporto rei, o futebol e atletismo, não resistiu a problemas respiratórios sábado, acabando por sucumbir no Hospital Geral, da mesma província.
E, embora tenha resistido às intempéries da estrada e do asfalto, Pepino, de forma ousada, desafiou a idade e a tudo, ao pedalar em ocasiões diferentes, o “arrojado percurso” de mais de 500 quilómetros, que separam Benguela, à capital do país, Luanda.
Isto o tornou um verdadeiro herói, bem assim como gladiador da estrada e do asfalto, como em certa ocasião profetizou o jornalista Jaime Azulay. Pepino, que a 24 de Outubro próximo completaria 96 anos, era um homem de personalidade distinta.
Um exemplo a seguir e uma prova de que a determinação e perspicácia, podem correr mesmo às veias de um desportista veterano e com muitas léguas percorridas, não fosse o “arrojado desafio” de viajar por estrada de bicicleta de Benguela à Luanda já aos 85 anos. No “mais velho” Alberto Silva “Pepino”, estava patente o velho slogan de que os homens não se medem aos palmos. Apesar das muitas batalhas que carregava na bagagem e os 95 anos, que pesavam sobre os seus ombros, o gladiador da estrada e do asfalto ainda ousava em desafiar tudo e todos.
Fruto disso e do “espírito ainda jovial” que ostentava, propôs à família do ciclismo a realização de um “troféu em prol dos objectivos do Milénio”.
A ideia patente nesta proposta, passava por uma maratona que cobriria as províncias do Cuanza-Sul, Benguela, Huambo e Bié, em que no final de cada etapa seriam doados bens de primeira necessidade às camadas mais vulneráveis, materiais para crianças em idade escolar, entre outros. Com isso, Pepino evidenciava, sem evasivas, a sua dimensão altruísta, de solidariedade e, acima de tudo, de um homem virado para causas nobres.
O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, reconheceu o respeito que Pepino granjeou de todos angolanos, a partir do momento em que, já numa idade avançada, demonstrou capacidade de se superar e servir de exemplo para as novas gerações. \"Foi verdadeiro ícone do desporto nacional e internacional\", sublinhou o Mais Alto Mandatário da Nação, na sua mensagem de condolências.
E algo inusitado a reter de Pepino, que também exerceu a profissão de marceneiro, é que até a urna que lhe acompanhou no repouso à sua última morada, na passada terça-feira, no cemitério da Camunda, arredores de Benguela, ele próprio a fez há mais de 30 anos.
É coisa para dizer, que o veterano ciclista era uma figura de dimensão incomensurável. E, na hora da despedida deste homem que figura, seguramente, entre os mais profícuos filhos e desportista de Angola e, se calhar do mundo, resta dizer paz à sua alma e hasta siempre herói Alberto Silva “Pepino”!!!...


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