Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Hora de reflectirmos

30 de Agosto, 2015
O Afrobasket que hoje encerra as suas cortinas deve ser uma fonte de reflexão profunda. Ou seja, temos de ir para além do resultado. Ganhar ou não a prova é uma coisa acessória. A preocupação ou abordagem que se impõe suscita outras perspectivas.

O país sente que os pilares que nos tornaram dominadores da modalidade no continente estão a ruir. Os clubes deixaram de formar com qualidade e abundância, e o cargo de seleccionador nacional tornou-se tão vulnerável, que nem uma passarela.

Acresce-se o facto dos principais impulsionadores da modalidade terem deixado de desenvolver o trabalho de sondagem e prospecção de talentos verificado nos anos passados, responsável pelo boom verificado e que nos levou à conquista de fama e prestígio a nível do continente africano.

É necessário recuar às bases, a fonte, sem contudo descurar as devidas adaptações ao contexto actual. Sem dúvidas o modelo do basquetebol nacional arquitectado por um colégio de treinadores nacionais e estrangeiro (Mário Palma, em particular) há mais de 30 anos continua válido.

Os outros países imitaram o modelo, e encurtaram a diferença. Nós pelo contrário queremos abandonar a nossa matriz, identidade, que granjeou todas essas conquistas. Não, não é necessário seguirmos o modismo.

Temos uma matriz que assenta em transições rápidas e defesas pressionantes. Um jogo exterior eficaz e uma luta incessante debaixo das tabelas. Os nossos postes nunca tiveram além de dois metros e 10 centímetros, como senegaleses, nigerianos, malianos ou outros.

Apesar disso, temos as conquistas que temos. Mas há um sinal vermelho que não podemos ignorar. Os clubes abandonaram a formação com qualidade e em quantidade. O cinco nacional apresenta hoje um único base praticamente, com devido respeito para os mais jovens que vão chegando à Selecção Nacional.

O cinco nacional perdeu a cultura de ter triplistas por excelência. Atletas que desbloqueiam o jogo ofensivo da Selecção Nacional. Esses e outros pontos devem ser se colocados à mesa da discussão.

É necessário colocar nas camadas de formação não apenas ex-atletas com reconhecida qualidade mas fundamentalmente formadores. Não se pode conceber que Victorino Cunha, Alberto de Carvalho “Ginguba”, José Carlos Guimarães e outros estejam fora do basquetebol nacional. Se não forem treinadores, que sejam directores técnicos. Dos clubes ou da Federação Angolana de Futebol. Esses e outros conhecem os alicerce do nosso basquetebol. É hora de reflectirmos o basquetebol. Chorar ou festejar é passageiro. O amanhã nunca morre!

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