Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Hora do scouting

30 de Junho, 2016
Com o sorteio realizado há dias, a Selecção Nacional sénior feminina ficou a conhecer as adversárias para a primeira fase do Campeonato Africano das Nações de andebol, que o país acolhe este ano, de 28 de Novembro a 7 de Dezembro, em Luanda.

A selecção da Costa do Marfim, adversária de estreia, e as da RDC, Camarões e Senegal compõem o Grupo A, em que está inserido o "sete" nacional. Conhecidas as opositoras, é chegada a hora do "scouting", ou seja, do estudo antecipado a cada uma das selecções que o nosso conjunto vai enfrentar, de modo a conseguirem-se as informações necessárias, para conhecimento real das suas capacidades competitivas.

É um trabalho que visa facilitar a tarefa da equipa técnica, que com base em informações importantes, facilmente pode planificar as sessões de treinos e esboçar a melhor estratégia para o perfil de cada selecção adversária.

O scouting não se restringe, por isso, à mera filmagem de jogos ou dizer as características dos atletas. É muito mais do que isso. Exige conhecimento da modalidade em que se trabalha, e a capacidade de traduzir o que se vê em relatórios, de modo a facilitar a estratégia de jogos dos treinadores ou ainda, acompanhamento e enquadramento dos jogadores escolhidos, resultante desse trabalho.

Angola chamou a si, a organização do "africano" de andebol em seniores feminino, para resgatar o título que perdeu há dois anos para a Tunísia, e a jogar em casa, tem mais probabilidades de traduzir a pretensão em realidade. Mas não basta jogar em casa, para tornar o "sonho africano" numa realidade.

É importante um projecto completo e bem gizado. Daí, a necessidade do ponto de vista técnico, de desenvolver o trabalho de scouting não apenas às adversários do grupo da primeira fase, também às que são potenciais candidatas a cruzarem o caminho da Selecção Nacional, nas fases eliminatórias para se chegar ao título.

Agendado para o período de 28 de Novembro a 7 de Dezembro, a maior cimeira do andebol continental é na verdade, uma soberana oportunidade de Angola resgatar o título e elevar o estatuto de maior potência do andebol em África, onde colecciona um total de 11 campeonatos, a nível de selecções, e cerca de três dezenas de títulos a nível de clubes, todos na classe feminina.

A realização do CAN de andebol, no país, estava condicionada à obtenção de recursos financeiros que pudessem suportar os encargos logísticos, decorrentes de eventos desta natureza: alojamento, alimentação, transportes, comunicações, segurança entre outros, sem os quais é impossível concretizar este objectivo, uma vez mais, o Executivo deu mostras do seu compromisso para com o desporto nacional. Não obstante a crise económica que o país enfrenta por efeito sistémico, decorrente da baixa do preço do petróleo no mercado internacional, o Estado por via do Ministério da Juventude e Desportos, predispôs-se a assumir a realização do certame.

Portanto, é uma empreitada que deve ser encarada com máxima responsabilidade, dados os interesses em jogo, pelo que o trabalho de casa deve ser muito bem feito.

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