Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Horizonte de Hayatou

16 de Março, 2014
Na verdade, Hayatou não pede mais do que aquilo que, como conhecedor dos meandros do futebol, pensa estar ao alcance dos africanos.

Afinal quem anda no mundo do futebol está em condições de reconhecer que os países africanos têm evoluído competitivamente nos últimos tempos e têm mostrado nas últimas edições de campeonatos do mundo uma maior ousadia e mais do que isso um futebol polido, cheio e arte e de argumentos técnicos.

Ficou para trás o tempo em que iam a campeonatos do mundo apenas para participar, revelando-se verdadeiras presas de outras selecções, da Europa e da América do Sul sobretudo. Hoje, as equipas africanas disputam os jogos palmo-a-palmo, seja com que adversário for. E ocasiões houve em que vimos selecções de referência a deixarem a competição mais cedo muitas vezes afastadas por africanas.

A partir deste pressuposto é legítimo que o presidente da CAF pense como está a pensar e trace metas competitivas para as selecções do continente africano. Ele até certo ponto revela no quadro da sua ambição alguma modéstia pois não promete sequer a final, fala em meias-finais. Ai está pois o sentimento calculista de um homem que não fala só por falar, mas que o faz com alguma propriedade e conhecimento de causa.

Aliás, na última edição do campeonato do mundo, disputada na África do Sul, vimos um Gana ousado e destemido, que só não atingiu as meias-finais por manifesta falta de sorte de Asamoah Gyan, que acusou alguma falta de frieza na conversão de um penálti que teria morto o jogo dos quartos-de-final com o Uruguai. A África esteve à beira de fazer história no futebol mundial.

Portanto, feitas as contas, pensamos ser este o princípio em que se baseia Hayatou. Pois quem atingiu os quartos-de-final não pode aspirar eternamente à mesma meta. Deve sonhar mais para frente. De resto, os quartos-de-final são para a África uma meta antiga, se não crónica, se nos lembramos do Itália 90 em que os Camarões soçobraram aos pés da Inglaterra, com um rico plantel que tinha tudo para ir mais além.

As palavras do homem forte do futebol africano servem de alerta para as cinco selecções representantes de África ao Brasil 2014. À Argélia, Costa do Marfim, Gana, Camarões e Nigéria pende assim a responsabilidade de tudo fazerem para honrarem o bom nome do continente. Sendo indubitavelmente das selecções mais cotadas do futebol continental estamos certos de que elas conseguem lograr o objectivo.

É hora de exigirmos mais de nós mesmos, melhorar as posições classificativas para que o mundo se vire para a África futebolística com olhos de ver, com sentimento de respeito. Afinal o futebol que se joga na superfície da Terra é o mesmo e pelos principais campeonatos da Europa evoluem africanos de nomeada e muito bem referenciados. Eles também podem.

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