Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinião

Inovações no futebol

13 de Agosto, 2017
Desde a existência da raça humana que é sabido que a vida é um exercício dinâmico, por via disso, alheio ao comodismo. O homem está, à partida, condenado a conceber, desenvolver e inovar. Não é sem razão que constatamos hoje que quase todas as descobertas dos últimos dois séculos têm vindo a ser revolucionadas.

Dos comboios à lenha evolui-se para outros a motor e rápidos, dos aparelhos analógicos deu-se o pulo para os digitais, da velha máquina de Gutemberg para o computador de Bill Gates. Tudo se inova à medida do avanço temporal. No desporto sucede o mesmo. Evoluem as regras de jogo, eleva-se o número de participantes em competições e, às vezes, mudam-se as estações das provas.

Claro está, que algumas criações muitas vezes não colhem consenso, noutras podem não vingar. Tomemos como exemplo o propalado \"golo de ouro\", ou se preferirem morte súbita, que consistia no fim do jogo nos tempos adicionais, sempre que uma das equipas concretizasse o golo da vitória. Vigorou muito pouco tempo, porque não colheu consenso no mundo do futebol.

Com a saída de Issan Hayatou e entrada de Hamed Salan Hamed na Confederação Africana de futebol, movimentam-se pedras para a introdução de inovações que venham marcar a presença de uma nova liderança depois dos 30 anos de Tessema e 29 outros do cidadão camaronês. O Campeonato Africano das Nações, que, curiosamente, completa em 2017, 60 anos de vigência, passa a ter outro figurino.

À partida, o torneio vai evoluir de 16 para 24 equipas. Se calhar, não há aqui qualquer exagero. Está-se apenas perante uma acção de obediência a um processo de evolução natural. Pois, tendo a prova se disputado com apenas três equipas na sua primeira edição, em 1957, no Sudão, passando depois para oito, 12 e seguidamente para 16 é pacifico que vá para 24 equipas.

Aliás, foi o mesmo percurso cumprido pelo próprio campeonato mundial, que começou com apenas 13 países, que se inscreveram de forma directa à prova sedeada pelo Uruguai, em 1930. Mas não satisfeitos com este passo, Hamed Salan Hamed e seus pares, avançam igualmente a possibilidade de mudar a prova africana dos meses de Janeiro e Fevereiro, período em que tem lugar, para os meses de Junho e Julho.

Isto vai implicar necessariamente a revisão do calendário do nosso campeonato, adaptá-lo, como sempre foi defendido, à realidade de outros países africanos. A continuar a ser disputado no período em que é feito, estaria sujeito a interrupção no mês de Maio para a concentração e preparação da Selecção Nacional (em caso de estar apurada), e nos meses de Junho e Julho para competição. O período do CAN deve coincidir com o defeso. Mas a FAF tem a última palavra...

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