Jornal dos Desportos

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Opinio

J se esperava

17 de Novembro, 2014
Ainda que não fosse uma certeza, era mais ou menos previsível, que Angola não chegasse ao Campeonato Africano das Nações, CAN-2015, que no próximo ano vai ser disputado na Guiné Equatorial, depois da desistência de Marrocos da organização do magno evento, pelas razões sobejamente conhecidas, ou seja, o receio da propagação do vírus do Ébola.

O desempenho nas eliminatórias de acesso à fase final da competição, não correu de feição à nossa Selecção Nacional, que durante a primeira volta quase hipotecou as hipóteses de qualificação, depois de duas derrotas consecutivas e um empate (1-0, com o Gbão, 3-0, com o Burkina Faso, e 0-0, com o Lesoto) logo de início.

A pretensão de fazer o “volte face” na segunda volta, acabou por não se concretizar, com o empate (0-0) de sábado último com o Gabão, num dos dois últimos jogos de “vida ou morte” que tinha pela frente, para continuar a alimentar o sonho da qualificação até ao desfecho, depois da vitória acalentadora (4-0) na jornada anterior frente ao Lesoto..

A par do empate que teve sabor a derrota, as exibições patenteadas pelos Palancas Negras também não foram as mais convincentes, estavam muito longe daquilo que foi a amostra, durante os jogos de preparação realizados antes do início dos jogos oficiais. Juntam-se ainda estas “desculpas”, as fragilidades administrativas demonstradas pela Federação Angolana de Futebol, que com a acção e inacção, forçaram a não utilização pela equipa técnica, em determinadas partidas, de certos jogadores.

Quer estes factores objectivos apontados, quer outros de natureza subjectiva que acompanharam a Selecção Nacional na sua caminhada, funcionaram como um aviso prévio, de que as coisas podiam não ter um fim muito agradável, apesar de toda a crença que a maioria dos angolanos preferiam evidenciar, numa autêntica demonstração de patriotismo e fidelidade aos Palancas Negras.

Depois de ter marcado presença, de modo consecutivo, nas cinco últimas edições do CAN (2006, 2008, 2010, 2012 e 2013), a não qualificação acaba por ser uma profunda decepção aos amantes do futebol nacional, que já estavam habituados a ver Angola a desfilar entre as nações mais cotadas do futebol continental.

Mas por outro lado, há quem vê nisso uma chamada de atenção, para despertar para aquilo que é a realidade do nosso futebol, onde as coisas não andam muito bem, mas as vitórias e as qualificações ao CAN acabam por esconder um conjunto de problemas, que precisam de ser resolvidos. Desde a aposta nos escalões de formação, à melhoria da organização da própria Federação, à qualidade dos dirigentes, passando ainda pela formação dos árbitros, uma série de outras questões que no dia a dia são abordadas pelos agentes do desporto nacional e do futebol em particular.

Desta forma, a selecção de Angola só se pode queixar de si própria, sobretudo por não ter mostrado capacidade competitiva para estar à altura das suas adversárias. Como consolo, resta-nos trabalhar para fechar esta campanha com uma vitória na próxima quarta-feira, com a selecção do Burkina Faso e prepararmos melhor as condições para que em 2017, possamos estar de regresso à grande montra do futebol africano.

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