Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Jogar com dinheiro

12 de Janeiro, 2015
Com o CAN-2015 à porta, na Guiné Equatorial, o Girabola ainda assim a prender as atenções dos prosélitos da modalidade. A maior competição futebolística do país continua a jogar em período de pré-época, com muitas equipas ainda às correrias para que nada falte na hora do começo das “hostilidades”, no bom sentido do termo.
Nesta altura, as equipas ocupam-se em estágios interno e externo, a depender de uma ou outra opção, consoante as condições financeiras de cada clube. Os com recursos optaram, na maioria, por mandar as equipas para o exterior, apenas uma minoria prepara o Girabola no país.

Ao fim ao cabo, está-se no momento de ultimar o trabalho administrativo necessário para se colocar em dia todas as questões inerentes à constituição do plantel, mas não hajam dúvidas de que o dinheiro é a componente mais importante, se não mesmo a determinante para a concretização de várias tarefas.

É com o dinheiro que se contratam os melhores jogadores no mercado, os melhores técnicos, que se criam as condições exigidas por estes, enfim, um conjunto de pressupostos para que a equipa esteja em condições de competir sem grandes sobressaltos. Enfim, é com o dinheiro que se satisfazem as necessidades.

Para a nossa realidade, temos alguns clubes que se perfilam na linha da frente quanto à esta situação. Ou seja, aqueles que não revelam grandes dificuldades para atender as necessidades decorrentes da própria competição. Mesmo que não se conheça publicamente os orçamentos que movimentam por ano, é notório que clubes como 1º de Agosto, Petro de Luanda, Interclube, Recreativo do Libolo, Kabuscorp do Palanca, Benfica de Luanda e FC Bravos do Maquis com mais ou menos dificuldades, estão sempre preparadas do ponto de vista financeiro.

Na linha intermédia podemos colocar poucos clubes como Progresso do Sambizanga, Sagrada Esperança, Recreativo da Caála e os primo divisionários Progresso da Lunda Sul e Domant FC. Os demais estão abaixo destes últimos, em função daquilo que tem sido a realidade, ano após ano.

É em função deste posicionamento no “ranking” financeiro, que as direcções dos clubes definem os seus objectivos. Os com mais posses, projectam sempre a conquista do campeonato e da Taça de Angola como metas a atingir no final da época. Os que os seguem têm como tendência melhorar a classificação, enquanto que os demais, a luta de sempre é a permanência na final flor procurando evitar a despromoção.

Embora seja um pouco dura, a realidade não é exclusiva de Angola ou do nosso Girabola. Isso acontece com a maior parte das competições e em quase todas as modalidades. É a capacidade financeira que diferencia uns dos outros e que em certa medida provoca a própria competitividade.

Os nossos campeonatos, de um modo geral, o Girabola, em particular, precisam dessas coisas para não ficarem amorfos. Os adeptos precisam de emoções para continuar a sentirem-se atraídos por aquilo que é o espectáculo, pois de contrário seriam remetidos a uma enfadonha rotina.

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