Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Jogos Olmpicos2020

17 de Março, 2020
A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.
Espanta, quando provas como a Fórmula 1, a NBA, torneios da ATP, Ligas de futebol são adiadas ou orientadas a realizar-se sem público por questões de segurança, que apareça o COI decidido a levar avante um acontecimento desportivo que, por sinal, congrega mais participantes e mais público assistente.
É claro que pelo mundo as indústrias farmacêuticas desenvolvem esforços redobrados, no sentido de se conseguir a fórmula que permita o controlo da doença a médio ou curto prazos, ou, se não, no mínimo, reduzir em boas margens percentuais os níveis de propagação pelo mundo. Daí que o que está a ocorrer são adiamentos e não suspensões.
Sendo que provas há que ficaram transferidas de Março para Abril ou para princípios de Maio, talvez seja compreensível que o Comité Organizador dos Jogos Olímpicos esteja apenas a fazer uma contenção, olhando para o tempo e depositando confiança na capacidade de o homem encontrar solução mágica para o problema.
O que se pode compreender é que talvez seja cedo demais, para se tomar ainda uma posição para o “não” aos Jogos Olímpicos. Pois, apesar do cortejo de vítimas que a pandemia vai causando no mundo inteiro, não se pode descurar a possibilidade de, por exemplo, se ter a situação controlada até 24 de Julho, data que deve ter lugar a cerimónia de abertura dos Jogos em Tóquio.
Porém, em caso de o mundo ainda continuar assustado até lá, não haverá como realizarem-se os Jogos. Mesmo que o COI tenha interesse em avançar, ver-se-á confrontado com o veto dos países membros. Pois, não vemos que países cujos governos proíbem a realização de eventos populosos, permitam que os seus cidadãos possam ir a Tóquio.
Caso, por insistência da organização os Jogos, tenham mesmo de decorrer, não terão o impacto das edições anteriores desde que a prova veio à luz em 1896 em Atenas, sob o olhar atento do seu pai, o francês Barão Pièrre de Coubertin. As desistências ou renúncias serão em série. Os índices de contágio durante as provas hão-de ser assustadores, com os infectados a levarem depois o vírus para os países de origem. Por este andar não será desatino alguém dizer que Toquio’2020 está ameaçado.

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