Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Jornalismo VS clubismo

19 de Dezembro, 2019
Pode o jornalista que trabalha para o desporto ser adepto de um clube? A pergunta é recorrente e tem vindo a causar, ao longo dos tempos, no seio da classe, e não só, algum pomo de discórdia, entre aqueles que encaram tal estágio com normalidade e outros que julgam, que o repórter desportivo não deve ter vínculo clubístico com nenhum emblema.
Consideramos nós normal que o jornalista, para lá das suas obrigações profissionais, vibre por um clube com o qual se identifique como adepto. Pois, antes do profissional está o homem, cheio de convicções e direitos. Afinal, se ao jornalismo chegamos aos 18 ou acima dos 20 anos, antes carregamos, como adeptos, a bandeira de algum clube desportivo, do nosso bairro, da nossa cidade ou até forasteiro.
Mas, uma vez abraçado o jornalismo de especialidade desportiva como profissão, estamos sujeitos a destrinçar as coisas. Ou seja, a posicionar-se de um lado enquanto adepto, e de outro enquanto profissional. É exactamente aqui onde radica a maior contrariedade. Uns conseguem-no, outros, mesmo fingindo, estão incapazes de assumir a imparcialidade, que a ética e a deontologia impõem.
Temos vindo a lidar com este fenómeno. E em certos casos são os próprios dirigentes de clubes que, fazendo-se passar por mágicos (que não são e nunca foram), põem-se a adivinhar (senão insinuar) o clube com que nos identificamos, pelo tom de abordagem da nossa peça jornalística. Ou se fizemos manchete no nosso jornal, rádio ou televisão com o clube X, só podemos estar conotados. É tudo uma falácia de quem enxerga o rei onde está sentada a rainha.
Certos grupos, bem identificados, disponíveis no WhatsApp, desataram em críticas à chamada de capa da última edição desta publicação, que destacava o 1º de Agosto, que na véspera tinha batido a Académica do Lobito (3-0) e reassumido a liderança do Girabola. Na visão destes, todos com preferência ao perfume de marca “Gold Petro”, o destaque devia ser o Petro, que 48 horas antes havia vencido por igual resultado o Recreativo do Libolo.
Ora, aqui coloca-se o conceito “actualidade”. Logo, a vitória do 1º de Agosto estava mais fresca, agregando a este item a sua condições de líder da prova. Não havia como fazer destaque com o Petro. Caso houvesse edição ao domingo, claramente que o tricolor teria todas as honrarias. Paradoxalmente, sábado a capa foi dedicada ao Petro, que jogava nesse dia, e ninguém veio a público perguntar, porque razão não se fez alusão ao jogo do 1º de Agosto que seria no dia seguinte.
Aqui estamos perante uma reacção mais feita com laivos clubísticos, longe de quem faz um juízo desapaixonado e isento de terceiras intenções . Seja como for, as críticas de que fazemos alusão, e de que fomos alvo, foram tecidas no quadro de um princípio de apurado civismo e grande urbanidade. Aliás, de outro modo não podia ser, porque noves fora algumas incompreensões, pertencemos ainda a uma classe de gente civilizada, com princípio e carácter.
Precisamos apenas derreter algumas gorduras, que elevem o nosso colesterol a ponto dos efeitos hipertensivos nos guiar à deturpação de coisas claras como água em pura cascata.

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