Jornal dos Desportos

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Opinio

Justo desabafo

29 de Outubro, 2015
Com toda justiça veio o presidente do 1º de Agosto a público reclamar das razões que terão prejudicado a sua equipa no recém-terminado Girabola. A turma militar bateu-se, no segundo turno da prova com galhardia, tendo forçado a decisão do título até à derradeira jornada. Não se sagrou campeão nacional mas, pontualmente, terminou "ex-aequo" com o Recreativo do Libolo, o que deve ser realçado.

O presidente diz que o factor disciplina determinou o desfecho da prova para a sua equipa, pois não fosse isto teria o 1º de Agosto quebrado o jejum de títulos que se arrasta desde 2006. Na verdade, a formação militar foi o símbolo de alegria da ponta final do campeonato, em que levou a equipa do Cuanza Sul a viver um dos seus piores sufocos.

Em obediência à lógica das coisas, é doloroso quando se morre de cede à beira do rio, depois de uma travessia difícil e arrojada pelo deserto. Dito por outras palavras, é duro tropeçar à beira da meta. O 1º de Agosto não ficou nada a dever ao Libolo em termos de prestação e qualidade de futebol apresentado. Mas perdeu o título por factor que poderá ser considerado mínimo. Dai a razão do desabafo do presidente.

Foi por um ponto que a equipa não consumou o seu objectivo. E se é verdade que alguns deslizes que a penalizaram tiveram a ver com alguma onda de indisciplina verificado no seio do grupo, então tem o presidente todos os motivos de dizer o que disse e de prometer as correcções que prometeu.

Afinal a alta competição exige dos clubes um forte investimento em meios financeiras, técnicos e materiais, e não se pode ser permissivo perante actos prejudiciais. É evidente que no desporto há sempre culpas e culpados para cada situação. Os resultados mal conseguidos têm sempre um bode expiatório. Mas não nos parece ser este o caso de Carlos Hendrick. O presidente do clube militar nunca andou longe da evolução da equipa. É alguém que vive os seus problemas por perto. Logo, deve-se-lhe dar ouvidos naquilo que diz.

No desporto é demasiado doloroso quando se perdem jogos por "engenharias" dos árbitros ou por irresponsabilidade dos atletas. Os jogos devem perder-se nas quatro linhas do rectângulo de jogo e como consequência de maior maturidade competitiva da turma adversária. Ai sim, perde-se sem lamúrias nem motivos para quaisquer tipos de protestos. A disciplina é por isso mesmo a chave do sucesso em desporto de alta competição.

"Temos que ter um plantel em que a disciplina seja de facto uma realidade", aponta o dirigente máximo do clube com sede no "Rio Seco". Oxalá assim seja, a ver se em 2016 o país assista a um 1º de Agosto mais determinado na luta em busca da sua real identidade. Nunca esteve tão perto disto como este ano. As oportunidades são para serem aproveitadas, e verdade diga-se, as gentes do 1º de Agosto perderam uma soberana oportunidade.

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