Jornal dos Desportos

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Opinio

Liga para quando

24 de Agosto, 2017
Sobre o assunto muita tinta já foi destilada, porém parece que os actores principais continuam pouco preocupados com isso. Promessas mais promessas, o certo é que a competição caminha para o seu quadragésimo ano, ainda com o mesmo figurino da década de setenta.

Um figurino que caracteriza o futebol dos anos setenta e finais de oitenta. Estamos fartos de ouvir dizer que o futebol é hoje uma indústria, com muitos milhões pelo meio, mas só o é no contexto no qual é tido como profissional. Por cá ano após ano, continuamos a fazer do Girabola uma prova híbrida. Ou seja, pelos milhoës que nele circula é profissional, mas a gestão é amadora.

O maior obstáculo dizia-se era a legislação. Mas esta evoluiu, institucionalizou o profissionalismo mas os homens que têm de colocar o carro a funcionar, fingem quase todos que não possuem carta de condução. Muito se falou das iniciativas encabeçadas pelo presidente do Interclube, Alves Simões, mas o certo é que daí nunca saimos.

Pedro Neto, anterior presidente da Federaçåo Angolana de Futebol jurou institucionalizar a Liga, quando lá chegasse. Chegou, viu e esqueceu a promessa. Artur Almeida também fez o mesmo juramento, embora seja cedo ainda para lhe fazer cobranças. Mas não será surpresa alguma se vier acabar o mandato sem nada fazer sobre essa promessa. Aliás, não duvidamos mesmo que faça como os outros.

As circunstâncias no entanto impõem o quanto antes a transformação do Girabola. Que comece com dez ou doze equipas, pouco importa. É necessário correr, andar à velocidade dos tempos. Nåo se pode vezes sem conta mandar o assunto para debaixo do tapete.

A imprensa especializada devia segurar o assunto com muita força a bem de jogadores e suas famílias, que dependem dessa actividade. Ver jogadores que perderam o seu tempo todo ao serviço do futebol acabarem nas ruas do Martires do Kifangondo ou na Mabor como kinguilas é uma agressåo à dignidade da pessoa humana.

É preciso dar um passo e não se ficar apenas pelas boas intenções, pois destas anda cheio o inferno, como é comum ouvir-se dizer. A expectativa de que desta vez a Liga pode ser uma realidade em Angola está agora nas mãos do elenco dirigido por Artur Almeida e Silva, cujo mandato não tarda vai consumir o primeiro dos quatros anos.

As criticas que ano após ano se fazem ao actual figurino do nosso principal campeonato, permitem-nos aferir que se afigura cada vez mais premente a necessidade de se avançar com uma Liga, modelo hoje quase universalmente seguido por quem gere o futebol, a modalidade rainha de todos os desportos.

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