Jornal dos Desportos

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Opinio

Ligados seleco

14 de Agosto, 2014
Começa a surtir o efeito desejado a estratégia de reforçar a empatia entre os Palancas Negras e o público. A presença pública registada ontem no estádio 11 de Novembro, no jogo amistoso que disputou com a sua congénere do Botswana, mostra quão grande é a onda de solidariedade dos angolanos para com a sua selecção que se prepara para as qualificativas ao CAN-2015. Não tivesse sido o jogo num dia de semana e à hora em que a maioria se recolhe para o merecido repouso, teríamos aquilo a que se chama "casa cheia".

Isto é, extremamente positivo, dando indicações de que durante a maratona qualificativa, que compreende jogos em Luanda, Libreville, Ouagadougou e Maseru a selecção não vai jogar só. Conta sempre com o apoio de todos, capazes de inundar os estádios sempre que ela se fizer à relva, em casa particularmente. Embora o facto de a população estar com a equipa nacional não constitua novidade, sendo normal no quadro do seu espírito patriótico, porém, em regra, um jogo de carácter amigável tem a particularidade de atrair pouca assistência. Daí se pode perceber que os angolanos auguram realmente o melhor para a sua selecção.

Aliás, uma reacção contrária era má e até mesmo prejudicial para aquilo que constituem os objectivos principais de Angola. O apelo, de momento, vai no sentido de se manter este espírito de solidariedade para com "a equipa de todos nós", de modo a que possa desenvolver o seu trabalho num ambiente salutar, de concórdia e de solidariedade.

A aliança com a selecção resulta também em parte do facto de esta apresentar evolução de jogo para jogo, desde que passou para as mãos de Romeu Filemon, um experimentado técnico, dono de uma boa folha de serviços, pintada com passagem pelas selecções jovens e por clubes renomados do nosso campeonato, tendo sido o 1º de Agosto o seu último porto.

Aliás, não é qualquer técnico que aceita assumir uma selecção nas condições em que o fez. Ou seja, uma selecção sem rosto e com um cortejo de péssimos resultados nas últimas competições de vulto em que tomou parte. Portanto, remendar se não mesmo arrumar uma outra equipa em véspera de um torneio qualificativo à maior montra do futebol africano não deixa de ser um desafio, ou aquilo a que se chama "obra de Hércules".

Na verdade, parece que Romeu Filemon começa a contagiar a equipa com o seu espírito ganhador. Se assim for não temos a menor dúvida de que podemos ter, dentro dos próximos tempos, uma selecção moldada ao seu estilo e ao seu gosto.

O conjunto de jogos de preparação realizados até aqui não visa outro objectivo se não o de dar solidez ao grupo de trabalho.
Claro está que os desafios só são vencidos com condições propensas à disposição. E esta situação pensamos que já não deve ser chamada à baila. Está de facto acautelada pela Federação Angolana de Futebol, que tem procurado olhar para este compromisso com toda a atenção, de sorte que, com menor ou maior dificuldade, seja facilitada a missão da equipa e, em última instância, também facilitada a conquista da meta definida.

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