Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Longe do fulgor

14 de Maio, 2017
O dérbi entre o 1º de Agosto e o ASA, ou vice-versa, é o mais antigo do Girabola, envolve duas equipas que desfilam na primeira divisão, que sempre estiveram presentes em todas as edições, desde que o campeonato nacional foi instituído.

Um dérbi, cujos resultados foram sempre motivo de grandes títulos de capa, em tempos idos nas publicações desportivas existentes, particularmente, o \"Suplemento Desportivo\" do Jornal de Angola, tal o fervor com que era disputado pelos artistas da bola, e a forma como os adeptos viviam as partidas, antes, durante e depois da realização.

Tempos de Chinguito, Bento, ou Juju, do lado dos aviadores, de Lourenço, Ndunguidi ou de Mendinho, da parte dos militares, apenas para citar estes, que personificavam uma geração de jogadores com tarimba, que muitas vezes faziam do dérbi o jogo das suas vidas, independentemente do momento que as equipas atravessavam.

Hoje, o cenário é diferente. O dérbi continua vivo, sem o brilho de outrora, mais por culpa da formação do aeroporto que depois de conquistar título consecutivos, na era do técnico português Bernardino Pedroto, e com Love sempre faminto de golos, enveredou pela travessia no deserto, e em queda abrupta, acabou de um tempo à esta parte por lutar quase sempre, para não descer de divisão.

Acresce a isso, questões administrativas que assolam a agremiação, com muita turbulência na gestão, concretamente, aquando da renovação dos seus órgãos sociais, com repercussões no rendimento da equipa de futebol em que a greves dos jogadores se revelou com uma manifestação de descontentamento, por incumprimentos contratuais da parte da direcção.

Do lado oposto, temos um conjunto militar que se recomenda. O 1º de Agosto surge hoje, na qualidade de campeão em título, e com grande vontade de reassumir a liderança da competição.

É neste quadro que os dois conjuntos vão disputar o jogo. Os aviadores têm técnico novo, Paulo Saraiva substituiu João Machado, pretendem a partir de hoje dar um pontapé na crise de resultados, emergir nas etapas que se seguem do Girabola, e com o adversário mais motivado, a confirmar um favoritismo que outrora era quase sempre relativo, mas que nos dias que correm pende mais a seu favor, embora, os dérbis tenham características próprias.

Teremos assim um jogo de duas formações , que no conjunto arrecadam 13 troféus coleccionados, mas que o 1º de Agosto vai querer de forma natural fazer jus ao seu estatuto de campeão nacional, ante um adversário que é tão-somente o penúltimo classificado da tabela. Uma posição deveras incómoda, para quem deve orgulhar-se de ser um dos históricos do Girabola, e que devia em todos os momentos lutar por isso.

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