Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

ltimo escrito

25 de Julho, 2019
Na passada sexta feira, a África futebolística parou para assistir à final do XXXII Campeonato Africano da Nações que se disputou no Estádio Internacional do Cairo, entre Senegal e Argélia. Acabou por ser um jogo disputado com muita intensidade, mas decidido num único lance de bola. A Argélia levantou o troféu e levou a festa para casa.
Ficou para trás a edição de 2019, devem as selecções agora concentrarem-se nas qualificações para a próxima edição, quando a nata do futebol africano voltar a encontrar -se nos Camarões, caso esse país não venha declarar falência. O CAN do Egipto foi na verdade marcado por muitas surpresas, a começar pela desqualificação precoce do país anfitrião e do campeão em título.
Entretanto, as selecções do Senegal e da Argélia fizeram mais por merecer a presença na final. Foram as formações que se revelaram mais astutas, calculistas e batalhadoras, embora, também não seja nenhuma inverdade dizer que beneficiaram da peste de fracassos das outras selecções, que se apresentaram na prova com o rótulo de candidatas ao título.
Acabou por ser a final que a prova ditou, entre duas equipas que foram parceiras de grupo na primeira fase, a representar dois pólos do continente africano. A África do Oeste e a África magrebina, isso dito sem qualquer sentimento ou espírito divisionário, o que até pode tipificar um acto criminal perante a luta que se empreende em busca de uma África mais coesa.
O Senegal, uma selecção que está a registar um grande crescimento nos últimos tempos, como demonstrou no último campeonato do mundo, nunca subiu ao pódio, pese embora ser uma selecção de referência. E, provavelmente, via na prova egípcia a possibilidade de chegar ao inédito. Porém, não conseguiu porque a sorte sorriu à formação adversária.
A Argélia pode dar-se por feliz, porque tal como o Senegal, andou anos a fio atrás da sua primeira consagração, também anda anos à procura do segundo título. Todavia, quis o destino que fosse a selecção sortuda, isso mesmo. Porque a conquista não resultou do facto de ser mais equipa em campo, mas por que a sorte sorriu-lhe, marcou um golo inexplicável nos instantes iniciais e passou o jogo inteiro a defender o resultado.
O nosso apelo à selecção senegalesa vai no sentido de continuar a trabalhar de forma séria e responsável. No resto, mostrou arte e engenho. Ficou explicito que aí mora uma selecção que promete muito mais, que pode vir a ter uma palavra a dizer na próxima edição. Este escrito pode parecer extemporâneo, mas impõe-se, por que por razões técnicas não tivemos editorial na anterior edição.

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