Jornal dos Desportos

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Opinião

Má sina dos benguelenses

17 de Julho, 2017
Os representantes benguelenses no Girabola de 2017, 1º de Maio de Benguela e Académica do Lobito, podem ter feito ontem o seu último jogo na competição, a fazer fé na posição dos dirigentes dos dois clubes, por alegadas dificuldades financeiras.

Uma posição que pode suscitar risos, mas que a concretizar-se pode ter implicações sérias no desfecho do maior campeonato do país, dado que a própria verdade desportiva corre o risco de ficar em causa, na altura das contas finais.

Para os dois emblemas benguelenses, a situação não é nova, porquanto têm vivido nos últimos tempos situações conturbadas, por conta da falta de dinheiro nos seus cofres, algo que de forma geral afecta grande parte das agremiações do país, o que leva a inviabilizarem projectos e a cortarem algumas modalidades.

O 1º de Maio, particularmente, ousou participar na competição, aquando da desistência do Benfica de Luanda, anuindo a um convite da Federação Angolana de Futebol. Ninguém obrigou a formação proletária a participar na competição. Os dirigentes do clube deveriam ter a visão suficiente para equacionarem a sua participação em função da sua situação financeira.

Tivessem os dirigentes dos proletários respeito pelo emblema, teriam outra atitude, semelhante à do Benfica ou mesmo trabalhar apenas na formação, até existirem fontes sólidas e efectivas de receitas para suportar despesas do Girabola.

Essa postura de uma bebé acossada por cólicas não abona a imagem nem a história do 1º de Maio de Benguela. Foi a primeira equipa na história do futebol nacional a disputar uma final africana. Foi a primeira equipa fora de Luanda a conquistar dois campeonatos. Foi, a par dos dois grandes de Luanda, principal contribuinte de jogadores para os Palancas Negras.

A equipa tem sempre evocado problemas financeiros ao longo dos últimos anos, e até chegou a receber ajuda de um dirigente de um outro clube, o que não é nada abonatória para uma agremiação que já esteve no topo do futebol nacional, com a conquista de títulos do Girabola e participação em grande plano na competição africana, em que chegou a ser finalista numa das provas da CAF.

A desistência é uma cenário triste. Benguela tem condições para a prática do futebol, e não é por acaso que, por exemplo, foi o local escolhido pela maioria das equipas da primeira divisão para estágio de pré-época, na impossibilidade destas de se deslocarem para fora do país, como vinha acontecendo até então.

A confirmar-se esta desistência, os campos, bons campos, é bom que se diga, vão ficar às moscas, sem se justificarem, por esse facto, os investimentos que neles foram feitos, porque a ideia era beneficiar sempre o desenvolvimento da modalidade na província.

Os clubes locais precisam de apoio, mas este deve começar dentro da própria província, com adeptos, sócios, empresários a unirem-se para que os benguelenses não fiquem privados de futebol de primeira água.

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