Jornal dos Desportos

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Opinio

Manucho e os Palancas

10 de Março, 2016
Uma informação posta a circular esta semana dá-nos a conhecer que o angolano Manucho Gonçalves declinou o convite ou a convocatória à Selecção Nacional que defronta este mês a congénere do Congo Democrático. Não é a primeira vez que ouvimos sobre a decisão de um jogador dizer não à selecção do seu país. Por isso, não há aqui motivos para alarmismo.

Pode não haver exemplos assim à mão no nosso próprio futebol , mas eles abundam pelo mundo. E, em regra, o argumento que se avança é sempre o de se dar prioridade ao emblema que o atleta representa, mesmo havendo, às vezes, pelo meio outras razões. No caso presente, Manuncho alega ter necessidade de ajudar o Rayo Vallecano, que não vai lá tão bem na Liga Espanhola. Isto até pode ser verdade, mas cobra-se aqui o seu lado patriótico.

Entretanto, rebuscando momentos de algum clima de mal estar entre a Federação Angolana de Futebol e o atleta, com mútuas acusações de permeio, podemos, com alguma facilidade, chegar à conclusão que ajudar o Rayo Vallecano pode estar a servir apenas de um bluff que o jogador encontrou para continuar distante de quem num passado recente não lhe poupou a severas críticas.

Manucho estará a viver ainda com alguma mágoa de tudo quanto se passou, ao tempo que Romeu Filemon orientou a equipa, em que foi acusado de indisciplina, por não responder aos supostos contactos, quer do técnico, quer da direcção da FAF. Criou-se entre as partes uma fronteira de ferro que pensamos se manter ainda sólida e firme.

Talvez depois de tudo quanto se passou o jogador devia ser contactado pessoalmente, mesmo que para tanto a FAF tivesse que fazer deslocar um emissário seu a Espanha para fazê-lo entender que não há diferenças que não sejam ultrapassadas por via de diálogo, e que tudo quanto tinha ocorrido fazia parte do passado. Ai ele sentir-se-ia sensibilizado e motivado para partir para um novo ciclo nos Palancas Negras.

Não tendo as coisas obedecido este princípio, é normal que a resposta que a resposta de alguém com certo valor profissional e uma dose de orgulho pessoal não podia ser outra. Por isso, quanto a nós que acompanhamos o desenrolar da novela, nada nos apanha de surpresa. Era de esperar que a reacção do atleta fosse esta.

Seja como for, pensamos que ainda há tempo de se encontrar uma solução para o caso. É claro que para o jogo do próximo dia 26 já não se poderá contar com o concurso de Manucho Gonçalves. Mas o torneio qualificativo ao Gabão'2017 não termina ai. Terá outros jogos e pode ser que até ai esteja encontrado um ambiente de harmonia entre a FAF e o jogador.

Aliás, longe de quaisquer caprichos, há que se colocar à frente ou em primeiro lugar os interesses da Nação. Manucho é uma peça preponderante na manobra da equipa nacional e pode constituir uma mais-valia não só nos jogos que restam para a fase qualificativa, mas como também para o próprio campeonato, na eventualidade de se lograr a qualificação.

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