Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mau comeo

11 de Setembro, 2014
A Selecção Nacional de futebol perdeu ontem, em casa com o Burkina Faso por 0-3 em jogo da segunda jornada do torneio de apuramento ao CAN'2015. Mais do que uma derrota pesada o resultado em si destapa uma série de debilidades da equipa nacional, que assim compromete as aspirações de qualificação, em face da complexidade do quadro matemático.

Na verdade, não é normal nem aceite que em duas jornadas a selecção consinta igual número de derrotas, e com adversários que à partida são claramente do seu campeonato. A derrota de Libreville foi perdoada. Primeiro por ter sido em casa do adversário, segundo por o resultado(1-0) espelhar algum equilíbrio de nível entre as duas selecções.

Já derrota de ontem tem muito que se lhe diga. A selecção esteve desencontrada, praticando um futebol insípido e insosso, desprovido de lances vistosos, e para mal dos pecados uma chuva de golos consentidos, quando era suposto que na condição em que se achava podia conjugar todo esforço no sentido de marcar o primeiro sinal na classificação.

Certo que o Burkina Faso, tem vindo a viver uma fase ascendente, como o tratou de mostrar no último Campeonato Africano das Nações, onde foi vice-campeão. Mas, isto não será o suficiente para justificar a derrota no jogo de ontem. É que à página tantas pareciam ser o Burkina a jogar em casa, o dono do 11 de Novembro, quando era o inverso.

O resultado não só compromete as aspirações de qualificação como devem remeter-nos, a todos, enquanto agentes desportivos e do futebol particularmente, a uma séria ponderação sobre aquilo que urge fazer para inversão do quadro sombrio da nossa selecção. Será preciso suspendermos a participação em competições internacionais para abraçar um projecto de reorganização? Se esta for a solução que não hesitemos.

É que se transformar num saco de pancadas como estão os Palancas não honra o nome do país, belisca-o antes pelo contrário. Será que tem de emergir um novo país em África para Angola ganhá-lo em face da sua inexperiência competitiva, resultado da condição de Estado novo? Parece ironia, mas a pergunta tem alguma lógica, porque não ganha a ninguém, faz tempo.

E de uma coisa tenhamos certeza: num torneio qualificativo disputado a duas voltas, quem não consegue sequer aproveitar os jogos caseiros, não tem condição para ir mais além, tampouco para aspirar a patamares mais altos. Os Palancas já perderam três dos nove pontos caseiros e três dos nove pontos de fora de portas. Isto não configura sinal positivo. E aqui vamos nós, mais uma vez, atrelados , ou a depender de terceiros mal começou o torneio.

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