Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mau desfecho

19 de Novembro, 2014
Não deve ser de certeza agradável jogar por mero cumprimento de calendário, condição a que se sujeitam equipas que se deixam vencer à partida. A nossa Selecção encontra-se hoje nessa situação. Jogar por jogar, com a consciência de ter tudo perdido. O jogo desta tarde, em Ouagadougou, não traz nada de novo. A qualificação ficou irremediavelmente perdida.Angola só tem de queixar-se de si própria, porque teve tudo para evitar este quadro desolador. Para já, comecemos por reconhecer ter sido bafejada pela sorte, pois calhou num grupo aparentemente acessível, que em termos de histórico superava outros integrantes, se valorizarmos a presença em 2006 no Campeonato do Mundo da Alemanha.

Infelizmente, Angola não soube tirar vantagem dessa particularidade, na quadra revelou-se permissiva e perdulária em pontos, excepto no jogo com o Lesotho, que foi quando percebeu que a situação estava tremida, com as hipóteses de qualificação hipotecadas.Honestamente, não é o que se esperava da nossa Selecção. Quando foram sorteados os grupos, quase todos os entendidos do futebol acreditaram na qualificação de Angola. Se alguma dúvida existiu, consistia em saber-se depois do apuramento em que classificação ia ficar, se em primeiro ou em segundo lugar, com algum respeito pelo Burkina Faso que no campeonato passado surpreendeu a todos, pois chegou à final, que veio a perder com a Nigéria.

No teatro das operações a Selecção Nacional surpreendeu pela negativa. Esquartejou os corações de milhões de angolanos que viram na sequência da disputa do torneio, que o sinal tinha mais tendência para o não, que para o sim. Estava eminente a quebra de um ciclo, que já prescrevia cinco presenças consecutivas em fases finais.Agora, consumado o fracasso, há a necessidade de se sentar para reflectir e rever a estrutura do nosso futebol, identificar o mal e traçar estratégias que permitam inverter o quadro actual. A Selecção não pode ser uma fonte de desgostos do cidadão, mas fonte de alegria e orgulho. Já foi assim, vai-se lá saber por que razão as coisas mudaram para o mal nos últimos tempos.

Uma selecção com o desempenho que teve, num grupo com Burkina Faso, Gabão e Lesotho, de que se podia esperar, de um emparceiramento por exemplo com o Ghana, Tunísia, Costa do Marfim ou Nigéria? Queiramos ou não, temos de aceitar que Angola esteve enquadrada num grupo acessível. Só não quis tirar proveito desse factor.Como soe dizer-se, é no aproveitar que está o ganho. Por não ter aproveitado, tem hoje a desdita de jogar por obrigação de calendário, que não é dignificante, sobretudo para uma Selecção da sua estatura, já habitué na maior competição futebolística africana.

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