Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Medidas punitivas

02 de Abril, 2018
A Federação Angolana de Futebol, versão Artur de Almeida e Silva, não está com meias-medidas, no que respeita à questão disciplinar. As punições a atletas, técnicos e dirigentes são sistemáticas. Que o diga o 1º de Agosto. Não vai para muito tempo, viu-se privado de um valoroso naipe de atletas.
Os jogadores pagaram com punição severa, o facto de não responderem positivamente à convocatória para a Selecção Nacional, que no começo do presente ano representou Angola no Campeonato Africano das Nações-CHAN\'2018, que se disputou em Marrocos. O clube militar barafustou, não teve como recorrer do castigo, e os jogadores acabaram por cumprir.
Não passou muito tempo, foi o treinador do campeão nacional, Zoran Maki, a sentir a mão pesada do órgão máximo do futebol nacional, castigo que ainda está a cumprir, razão por que nos últimos jogos não se senta no banco da equipa, como de resto se constatou ontem em Calulo, no confronto com o Recreativo do Libolo.
Agora, é a vez dos técnicos Agostinho Tramagal, do 1º de Maio de Benguela, e de Simão Paulo, este último, vocacionado à orientação de guarda-redes do FC Bravos do Maquis. Neste último caso, pode haver em nosso entender, algum excesso de zelo da parte da FAF, a julgar pela dureza das punições e os actos praticados pelos penalizados.
O técnico do 1º de Maio, por exemplo, está suspenso por um ano, e fica sujeito ao pagamento de uma multa superior a um milhão de kwanzas. Pensamos, que há um conjunto de factores, que não foram levados em consideração. Uma suspensão de um ano, para qualquer profissional, tem consequências gravíssimas na vida familiar.
É certo, que Agostinho Tramagal, pode ter outros afazeres, até porque, tanto quanto sabemos, é um quadro com formação superior. Todavia, não é menos verdade, se atendermos ao que é a realidade salarial no país, certamente que é no exercício da actividade desportiva que encontra a maior fonte de rendimento. Ora, suspenso por um ano, logo se adivinham os constrangimentos à vista.
Perante este quadro, a sua manutenção no comando técnico do 1º de Maio passa a depender do bom senso da direcção. A ninguém interessa ter um técnico para treinos, impossibilitado de sentar-se no banco para orientar a equipa em campo. Se fosse por um período curto!? Para uma época inteira, temos mil dúvidas. Pior de tudo, é que em caso de rescisão, a nenhum outro clube deve interessar os seus préstimos, devido à limitação.
Medidas disciplinares exige-se em todo o exercício que envolva homens, porém, dentro da razoabilidade e sem excessos, que ao invés de expressar um correctivo acaba por dar azo à especulações, como, perseguições pessoais, etc. etc.
Disciplinar sim, dentro das medidas punitivas aceites, longe de quaisquer excessos, que acabam por expor rudeza ao invés de sapiência administrativa.

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