Jornal dos Desportos

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Opinio

Menos chicotadas

06 de Abril, 2016
Esta época o Girabola já fez duas vítimas e por sinal na mesma equipa. Trata-se dos técnicos Hélder Teixeira e Luís Aires. O primeiro foi rendido pelo segundo, logo após a primeira jornada, e o segundo há menos de duas semanas pelo homólogo Alberto Cardeau.

Apesar de serem já duas as vítimas, espera-se que este ano as coisas sejam diferentes neste capítulo, comparando com os dois últimos anos em que as mexidas das equipas técnicas foram constantes.

Ao contrário do que acontece noutras paragens, sobretudo na Europa, em que os treinadores ficam numa equipa por largos anos - O Manchester United com Alex Fergunson e o Arsenal com Arsène Wenger são dois bons exemplos -por cá todos os anos as direcções dos clubes não se sentem rogados em despedir os técnicos, particularmente das equipas de futebol.

Há muito que se tem dito que os técnicos são vistos como bodes expiatórios de uma gestão muitas vezes comprometedora dos dirigentes desportivos, que preferem sacrificar na maior parte dos casos um inocente a terem de assumir os próprios erros.

Na questão particular dos técnicos, acontece, porém, que nem sempre as mudanças atingem os objectivos preconizados, o que leva depois ao fenómeno das chamadas “chicotadas psicológicas”, ou seja, o seu afastamento do comando técnico das equipas.

No Girabola passado de 2014 foram várias as direcções de clubes que se socorreram deste expediente para mostrar o seu desagrado com o trabalho que era desenvolvido pelos treinadores.

No Kabuscorp do Palanca, Petro de Luanda, no 1º de Agosto, no FC Bravos do Maquis, no Interclube, no Desportivo da Huíla, no Recreativo da Caála, no União do Uíge, no 1º de Maio de Benguela houve mexidas nas equipas técnicas. Foi um recorde no despedimento de treinadores. Mais de metade das equipas da prova fez mudança nas equipas técnicas.

No ano passado também tivemos o registo de outras tantas "chicotadas" embora em número mais reduzido. Para este ano, como já nos referimos duas foram já as vítimas e por sinal de uma mesma equipa, esperando-se que a direcção tenha na terceira contratação acertado de vez na escolha do treinador. Como se diz na gíria, a terceira é de vez. Oxalá assim seja.

Com o novo paradigma que se pretende para o Girabola, com a operadora de televisão ZAP a assumir-se como patrocinadora da prova, espera-se que haja mais estabilidade em todas as equipas que este ano estão a tomar parte do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão.

Espera-se por uma acalmia que deita por terra qualquer pretensão de encontrar nos treinadores os bodes expiatórios para muitas situações que, à partida, não são responsáveis.

Com a crise a assolar muitos clubes, muitas são também as dificuldades que vão surgindo amiúde, dificultando aqueles que têm a espinhosa missão de conduzir os destinos da equipa nas quatro linhas.Há necessidade de se apelar para uma maior ponderação antes de qualquer medida radical.

É preciso antes de tudo que se encontrarem soluções que levem à descoberta do mal, de modo a acertar o passo e seguir em frente, com a melhor orientação possível.

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