Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Menos chicotadas

01 de Março, 2018
Apesar de ter sido ele a pedir demissão, a saída do técnico Francisco André \"Kito\" do comando técnico do Domant FC pode ser visto como o início das \"chicotadas psicológicas\" na presente edição do Girabola, que seguramente não vai ser excepção àquilo que tem sido a regra.
Todos os anos o Girabola regista uma média não inferior entre cinco a seis despedimentos de treinadores e fazemos fé que nesta ano as coisas se alterem, para uma maior estabilidade das equipas e até certo modo também para a própria estabilidade do emprego, afinal ser técnico, seja de que modalidade for, não é menos prestigiante do que qualquer uma outra profissão.
O facto de Francisco André \"Kito\" ter colocado o seu lugar à disposição por interferência de dirigentes do clube no seu trabalho, uma reserva específica do treinador, configura uma situação de despedimento indirecto, pois ao negar a ingerência de pessoas que não são da área técnica e por essa razão ter ouvido coisas menos boas do presidente do clube por si só explica a forma pouco cordata em que terminou o \"elance\" entre as partes. Aliás, Kito chegou mesmo a afirmar que não é \"um treinador qualquer.\"
O Girabola está apenas na sua quarta jornada, mas a equipas cujo o desempenho desde a estreia não tem sido dos melhores, podendo com isso indiciar que se a situação não se inverter nas próximas rondas o destino dos treinadores destas equipas pode ser o mesmo de Francisco André, ou seja, usando uma expressão mais sarcástica, será seguramente o \"olho da rua\".
Na época transacta, treinadores como Agostinho Tramagal, substituído por Águas da Silva, no comando técnico do JGM do Huambo, Albano César rendeu Paulo Figueiredo, no Progresso da Lunda Sul, António Alegre cedeu lugar a Silvestre Pelé, na Académica do Lobito, Zeca Amaral voltou ao Moxico e substituiu João Pintar, no FC Bravos do Maquis, João Machado entregou o posto a Paulo Saraiva, no ASA, Sérgio Treguil foi rendido por Hélder Teixeira.
Na época anterior, em 2016, equipas como o Kabuscorp do Palanca, Porcelana FC, 1º de Maio de Benguela, Académica do Lobito, ASA e Recreativo da Caála procederam à mudanças nas respectivas equipas técnicas, logrando umas os resultados desejados e outras nem tanto aquilo que esperavam. Aliás, o 1º de Maio e o Porcelana FC nem por isso resistiram à queda para o segundo escalão, o que mostra que nem sempre os problemas estão nos treinadores.
O problema é que quando as direcções dos clubes se mostram descontentes com os resultados das equipas, normalmente é àqueles a quem é assacada, em primeira instância, a responsabilidade pelos eventuais fracassos da equipa.
Espera-se que neste Girabola que disputou apenas quatro jornadas, haja maior estabilidade em todas as equipas e que as direcções tenham mais paciência com os seus treinadores, dando-lhes o benefício da dúvida, se possível até ao segundo terço da primeira volta da competição.

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