Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Misso cumprida

18 de Agosto, 2016
Com a derrota consentida na madrugada de ontem sobre a selecção da Rússia, as pérolas colocaram ponto final à sua participação no torneio de andebol dos Jogos Olímpicos que decorrem no Rio de Janeiro. O momento poderá ser de balanço daquilo foi a sua prestação no cômputo dos seis jogos disputados, sendo cinco da fase inicial e um dos quartos-de-final.

Uma avaliação fria, séria e responsável só nos pode levar à conclusão de que a equipa às ordens de Filipe Cruz acabou por rubricar uma página brilhante na história do andebol mundial e dos Jogos Olímpicos. Teve pois um desempenho a todos os títulos positivo, por entre um conjunto de equipas todas elas cotadas e de países com forte tradição na modalidade. Aliás, quando deixou Luanda para o Rio de Janeiro não se lhe estabeleceu como meta a chegada à final ou a conquista do título, porque tal seria impensável num torneio super-competitivo como está a ser. Mas esperava-se dela uma prestação melhor conseguida, que não comprometesse a reputação do país, e pensamos que isto foi atingido.

Afinal não é obra fácil chegar aos quartos-de-final. E Angola conseguiu esta proeza, que acabou por constituir um inédito na história do nosso andebol em Jogos Olímpicos. O começo do torneio, diga-se em abono da verdade, foi extremamente positivo, com a equipa nacional a deixar ficar pelo caminho selecções renomadas como Roménia e de Montenegro.

Claro está que o objectivo era continuar com a mesma determinação e procurar fazer o mesmo nos jogos que se seguiram. Mas infelizmente, as coisas foram mudando de curso pela negativa, perdendo jogos, muitas vezes marcados por acentuado equilíbrio até determinada fase, como deixavam a ver os resultados com números quase aproximados. Aconteceu por exemplo com o Brasil.

A selecção bem que conjugou algum esforço no sentido de obter o primeiro lugar no Grupo A, de modo a evitar o cruzamento com o primeiro do B, que já estava identificado, mas tal esforço redundou em fracasso. Assim, os quartos-de-final lhe reservaram como adversário a temível Rússia, nada mais nada menos que a campeã mundial em título.

Logo, dela não se podia exigir muito, embora o milagre também pudesse acontecer. Neste jogo a hegemonia russa sobrepôs-se a toda determinação e capacidade de luta evidenciada pela selecção angolana, acabando esta por perder o jogo e consequentemente ficar fora da competição.Seja como for, há que reconhecer a bravura demonstrada pelas nossas pérolas, na esperança de que continuem com esta raça e atitude, tendo em vista os próximos compromissos competitivos. E mais: a qualidade do seu jogo despertou a atenção do mundo do andebol. Daqui em diante muitos terão de render guarda, sempre que se falar do andebol angolano...

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