Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mudar o paradigma

15 de Fevereiro, 2018
A ministra dos Desportos, Ana Paula do Sacramento Neto, estuda a possibilidade de acudir algumas equipas que militam no Girabola, que enfrentam dificuldades para se manterem na competição, devido as gordas despesas a suportar. Sem avançar ainda dados, a titular dos desportos pensa que devem ser ajudadas as equipas cuja posição geográfica exige muito esforço financeiro.
Sem dúvidas que é uma boa notícia para os clubes que andam de mão estendida ao longo de toda época desportiva. Porém, o Ministério pode discutir com as Federações, em particular a de futebol, mecanismos estruturantes para equacionar esse problema.
O futebol é um negócio, mas as equipas do Girabola ignoram completamente essa vertente. Têm a ideia de que o País não está preparado para sustentar o futebol, quando músicos e outras manifestações culturais já vivem do que fazem.
É evidente, que os ingressos em si, não são suficientes para pagar todas as despesas, nem na Europa é assim. O negócio de futebol envolve várias vertentes, desde o merchandising aos direitos televisivos. Além, obviamente, dos tradicionais patrocínios.
A discussão arrasta-se ao longo do tempo, sem a devida atenção dos homens que fazem do futebol a sua actividade principal. Numa altura de apertos financeiros, é urgente que o Ministério promova incentivos susceptíveis de despertar, para que as Federações marchem em direcção ao profissional sustentado.
De outro modo, o Estado continua a carregar aos ombros o fardo. A atenção do Ministério deve ser para a massificação da modalidade, deixar que o futebol profissional seja capaz de auto - sustentar-se.
Todo o negócio exige paciência, os lucros ou dividendos são colhidos depois de muito investimento. É assim no futebol, como na agricultura. Não se pode crer que o futebol seja um negócio estranho. O Ministério dos Desportos precisa de assimilar o provérbio chinês, que diz se \"quiser ajudar alguém, não dê peixe, ensina-lhe a pescar\". É esse o caminho.
Não estejamos contra a ajuda, pelo contrário. Aproveitamos apenas a oportunidade para reflectir um pouco mais, sobre os caminhos que o futebol deve trilhar, mas que por resistência absurda insiste no velho paradigma.

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