Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Nossa arbitragem

08 de Janeiro, 2014
O Girabola 2014 já está em preparação de há um tempo a esta parte e a cada dia que passa o movimento é maior.

Entre a abertura de oficinas, dispensa de atletas e contratação de reforços, as emoções vão-se apossando de todos os prosélitos da modalidade. Uma coisa, no entanto, merece, uma chamada de atenção logo de início: o trabalho dos árbitros. Em quase todas as edições do Girabola, este foi sempre contestado pelos adeptos, treinadores e dirigentes de clubes.

Os homens do apito são, em regra, acusados de terem influência nos resultados de muitos jogos, mesmo não tendo culpas no cartório, como soe dizer-se. Por norma, a onda de contestação ao trabalho dos árbitros sobe de tom a meio do campeonato ou até mesmo na ponta final, quando as equipas entram na fase das matemáticas em função do seu posicionamento classificativo e das jornadas ainda em falta.

Este ano e nesta edição, espera-se uma reviravolta nesta situação, que as reclamações não surjam ou que, se eventualmente surgirem, tenham uma base de sustentação suficiente para evitar os habituais insultos gratuitos contra os homens do apito.


A abertura da próxima época aproxima-se com o correr do tempo. No próximo mês de Fevereiro, Kabuscorp do Palanca, campeão nacional, e Petro de Luanda, vencedor da Taça de Angola, dão as boas-vindas às emoções do futebol de primeira água, com o jogo da Supertaça.

Apesar do barulho em torno das arbitragens não ser um tema novo, sobretudo no futebol, desporto das multidões, é importante que ano após ano haja mais fair play no relacionamento entre adeptos, dirigentes, técnicos, atletas e árbitros, tidos vezes sem conta como os “bode expiatórios” de resultados mal conseguidos dentro das quatro linhas.

No ano passado, a época começou muito mal, de forma pouca urbana, com o presidente do Recreativo do Libolo, Rui Campos, a criticar severamente o árbitro Roberto Tatalaya, pelo resultado desfavorável que a sua equipa tinha obtido no jogo da primeira mão da Superataça, no qual perdeu para o Petro de Luanda. O homem forte da equipa do Cuanza Sul chegou a classificar a Supertaça como “Taça Talaya”.

Não se pode, porém, dizer, que todas as vezes que os juízes sofrem reparos ou críticas recebem-nos de modo avulso, sem o mínimo de razão de quem o faz. Entende-se que os árbitros são humanos, mas ao assistir-se, com certa persistência, ano após anos, a discussões à volta do mesmo tema, é normal chegarmos à conclusão de que, em parte, estamos diante de situações cometidas de propósito, ou seja, com a nítida vontade de causar prejuízo.

A denúncia de um treinador ou dirigente em último caso, acerca de uma “mão invisível” da arbitragem que paira sobre a sua equipa, além de outros questionamentos, indicia que tem havido propostas de corrupção que urge investigar para se punirem os infractores, quer dentro dos regulamentos da própria federação, quer de outros dispositivos legais em uso dentro do território nacional.

Em vésperas de mais uma temporada e com as equipas a darem início aos trabalhos de preparação, auguramos que o nosso futebol tenha uma disputa higiénica, sem os problemas de arbitragem ou, pelos menos, com problemas menos bicudos que levem dirigentes, técnicos, atletas e adeptos, de um modo geral, a acreditarem que vale a pena continuar neste grande espectáculo.

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