Jornal dos Desportos

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Opinio

Novo abalo

09 de Junho, 2018
O Kabuscorp do Palanca acaba de sofrer, numa só sentada, mais dois revezes, o que é caso para dizer que, um mal nunca vem só, depois da perda dos primeiros seis pontos pelo \"caso Rivaldo\", como consequência do diferente que opõe o clube do Palanca ao ex-internacional e campeão do mundo brasileiro.
Novamente, por decisão da Federação Internacional de Futebol Associado, com a FAF a dar o devido cumprimento, o Kabuscorp fica mais sem seis pontos no Girabola, devido ao litígio que o envolve com o clube TP Mazembe do Congo Democrático, e que tem a haver com a transferência do antigo craque Tresor Mputo para o Girabola, naquela que foi uma das grandes transferências para o futebol angolano.
Com os casos de incumprimentos da parte da agremiação angolana a chegarem ao órgão reitor do futebol mundial, Angola também acaba por ficar mal na fotografia, até porque a própria FAF também já foi obrigada pela FIFA a zelar pelo cumprimento dos seus contratos, particularmente no \"caso Alhinho\", em que um dos visados foi o já falecido treinador dos Palancas Negras.
O Kabuscorp conseguiu fazer grandes jogadas de marketing com Rivaldo e Mputo no Girabola, pois ambos eram jogadores com préstimos firmados. O primeiro campeão do mundo pelo Brasil e o segundo o melhor jogador africano na altura, o que manteve sempre o nome do clube e de Angola nos noticiários fora do país.
Porém, e porque os contratos devem ser cumpridos dos dois lados, ao perdurar o seu incumprimento pela agremiação do Palanca, é evidente que teria dividendos negativos, reflectidos agora na perda de 12 pontos no presente campeonato.
O horizonte não é nada brilhante para o clube angolano, que a arrastar-se a situação corre o risco até de descer de divisão e mesmo até ficar impedido de participar na maior prova de futebol do país, a igual do que acontece, neste momento, com o Futebol Clube de Cabinda que, sem dinheiro para honrar os seus compromissos, está simplesmente afastado dos palcos futebolísticos.
A todos esses males, junta-se também a proibição da FAF ao Kabuscorp em oficializar novos contratos com treinadores e jogadores, enquanto não solucionar o diferendo com os seus ex-treinadores, entre os quais o técnico Romeu Filemon.
O vento sopra na direcção errada da formação do Palanca. Até bem pouco tempo, o Kabuscorp era uma agremiação que dava mostras de ser uma da mais estáveis em termos financeiros cá da praça, mas os últimos desenvolvimentos colocam-na no patamar de conjuntos pedintes, com calotes às costas.E a procissão parece que ainda vai no adro.

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