Jornal dos Desportos

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Opinio

Novo inquilino na Fifa

27 de Fevereiro, 2016
As atenções do mundo do futebol estiveram voltadas no dia de ontem para Zurique(Suiça), onde decorreu o congresso de eleição da nova presidência da Fifa. Quatro concorrentes, todos eles homens do futebol e com longo percurso nestas andanças, submeteram-se ao crivo e no fim da contagem dos votos a sorte sorriu para Gianni Infantino.

Com 115 porcento dos votos Infantino foi o candidato que mereceu a confiança dos delegados ao congresso, tendo por esta razão arrecadado maior número de votos que lhe conferem a partir de agora a condição de novo homem forte do futebol mundial, substituindo ao suiço Joseph Blatter que dirigiu o organismo durante 18 anos. Ou seja, desde 1998, depois de ter sido por muitos outros anos secretário geral de João Havelange.

Gianni Infantino chega à presidência da Fifa num momento bastante conturbado em que está instituição está envolta em vários problemas ligados a escândalos de corrupção, sendo estes mesmos que determinaram o banimento do presidente cessante bem assim como de Michel Platini, que antes era apontado candidato mais forte para o pleito que ontem teve lugar.

O novo presidente terá de trabalhar antes na organização da casa, varrer todos os fantasmas da corrupção e abrir uma nova fase na vida da célula máxima do futebol mundial. À partida não se afigura fácil a empreitada que lhe espera. Afinal os grandes problemas que encontra poderão de alguma forma ou doutra condicionar a implementação em tempo útil das linhas de força do seu programa.

Pois, contrariamente ao seu antecessor, que recebeu de João Havelange uma instituição organizada e com o cofre cheio, isto declarado pelo próprio Havelange na altura em que passava testemunho a Blatter, o actual presidente vai ter de começar tudo de novo, e conceber estratégias eficazes que permitam com que a Fifa venha a recuperar a médio ou curto prazo o seu estatuto, o seu prestígio.

Como se não bastasse, chega numa altura em que se está a escassos dois anos da realização do Mundial da Rússia, havendo necessidade de se movimentarem homens e meios para a organização do evento. Aliás, o próximo campeonato será o grande teste de fogo para ele, porque o mundo vai esperar que em termos de sucesso organizativo não fique aquém das anteriores edições.

Mas realizando-se nas condições em que se vai realizar, pode ser que venha ser afectado pelas consequências das convulsões que envolvem a entidade, mesmo que a maior responsabilidade venha a ser do próprio país anfitrião a quem compete criar um Comité Organizador a altura das obrigações de um evento de tamanha grandeza.

Vale aqui felicitar não só o novo presidente, mas também os outros candidatos. Pois, são poucos os homens que assumem a ousadia de concorrer à liderança de uma instituição em chamas, que quase desmorona de cima a baixo. Mas eles fizeram-no com coragem, determinação e convicção dos seus objectivos.

Portanto, apesar de derrotados, porque só um podia sair vencedor, na mesma são merecedores das palmas do mundo do futebol, que ficou escandalizado com os problemas do organismo, mas que hoje festeja a nomeação de alguém que se propõe a pôr ordem no circulo.

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